Mortes por terremotos na Venezuela chegam a 4.829
Foto: Prensa Presidencial

O número de mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 4.829, segundo novo balanço divulgado nesta quarta-feira (15) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. O total representa um aumento de 95 vítimas em relação ao levantamento divulgado na terça-feira (14), quando 4.734 óbitos haviam sido confirmados.

 

As autoridades informaram que 6.462 pessoas foram resgatadas com vida desde o início das operações, mas nenhum novo sobrevivente foi encontrado desde o dia 2 de julho. O número de feridos permanece em 16.740.

 

Além das vítimas, mais de 17 mil moradores seguem desalojados em consequência dos tremores registrados em 24 de junho. Os abalos também provocaram danos em 856 edificações, das quais 190 desabaram completamente, concentrando os maiores estragos no estado de La Guaira.
 

 

Nunes Marques arquiva notícia-crime contra Bolsonaro por suposta interferência na CPI da Covid
Fotos: Lula Marques / Agência Brasil

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento de uma notícia-crime que acusava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de tentar interferir nos rumos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, realizada no Senado Federal. A decisão foi assinada pelo magistrado nesta terça-feira (14).

 

Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a determinação do ministro atende a um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) emitido em abril de 2021. Na ocasião, o órgão avaliou que não havia indícios suficientes para abertura de inquérito pelos crimes de corrupção ativa ou advocacia administrativa, infração que ocorre quando um servidor público defende interesses privados no órgão onde trabalha.

 

Em sua decisão, o ministro Nunes Marques ressaltou que a avaliação sobre a existência de elementos mínimos para dar início a uma investigação criminal cabe exclusivamente ao Ministério Público Federal.

 

De acordo com o Estadão, o ministro enfatizou que o Judiciário não pode interferir quando o titular da ação penal pede o arquivamento. “Não cabe ao Supremo, diante da promoção de arquivamento emanada do chefe do Ministério Público, exercer qualquer juízo de valor que resulte no acolhimento do pedido”, escreveu o ministro, justificando que a tarefa compete exclusivamente à PGR por força do princípio acusatório.

 

Flávio diz que critica Wagner e Rui e cobra CPI para investigar Banco Master
Foto: Reprodução / Youtube via Flow News e Flickr / Jerônimo Rodrigues

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quarta-feira (15), que faz críticas frequentes ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), ao comentar as investigações sobre supostas relações entre integrantes do PT e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow News.

 

Ao responder a questionamentos sobre o tema, Flávio negou que evite abordar o caso e afirmou que costuma relacionar Wagner e Rui Costa às apurações envolvendo a instituição financeira. "Eu esculhambei ele. Eu falei da Bahia, eu falo de Rui Costa, eu falo de Jaques Wagner a todo momento. Ele subiu na tribuna para falar mal de mim, para responder. Não tem dificuldade, não", declarou.

 

Durante a entrevista, o senador voltou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Segundo ele, a comissão deveria ouvir Daniel Vorcaro e o empresário baiano Augusto Lima, apontado por Flávio como ligado a Wagner e Rui.

 

"Eu quero a CPI do Banco Master, sim. Quero o Augusto Lima e o Vorcaro sentados nessa CPI. O núcleo do PT inteiro está envolvido nessa sacanagem começando na Bahia, com esse Augusto Lima", afirmou.

 

Flávio também rebateu comparações entre o investimento do Banco Master na cinebiografia de Jair Bolsonaro e as suspeitas envolvendo integrantes do governo federal. Segundo ele, o aporte para o filme foi uma relação privada, enquanto classificou como "crime" uma suposta promessa de favorecimento ao banco atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao senador Jaques Wagner e ao ministro Rui Costa.

 

ASSISTA:

 

STF tende a decidir a favor do governo Lula e barrar pauta-bomba aprovada pelo Senado
Foto: Reprodução / CNJ

O STF (Supremo Tribunal Federal) tende a decidir a favor do governo Lula (PT) e barrar a PEC (proposta de emenda à Constituição) da aposentadoria dos agentes de saúde. A proposta foi aprovada nesta terça-feira (14) pelo Senado e é considerada uma pauta-bomba devido ao impacto fiscal bilionário.
 

Dois ministros de alas opostas da corte avaliam que há grandes chances da concessão de uma liminar, com posterior referendo do plenário, caso não haja no texto uma indicação clara sobre a fonte das receitas que compensariam os gastos extras.
 

Como o texto já havia sido validado pela Câmara dos Deputados, ele segue direto para promulgação, sem possibilidade de veto pelo presidente da República. Diante disso, o governo começou a articular a reação.
 

A equipe econômica calcula que a PEC custará ao erário R$ 30 bilhões em dez anos. Logo após a aprovação da proposta pelo Senado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que pretende acionar o Supremo para buscar "respeito ao equilíbrio fiscal".
 

Nesta quarta (15), voltou a dizer que "é possível e provável" que o governo judicialize o tema. "Há necessidade de compromisso fiscal com as futuras gerações. A PEC não traz as fontes de receita, onerando muito o governo federal e outras unidades federativas, sem contrapartida e em desconformidade com o planejamento orçamentário do país."
 

Durigan disse, entretanto, que o texto ainda pode passar por uma reavaliação. Ele afirma ter pedido ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que não promulgue a PEC "no escuro", mas apenas quando tiver acesso a todos os dados fiscais necessários.
 

O ministro da Fazenda falou à imprensa após um encontro com o presidente do STF, Edson Fachin, com quem discutiu protocolos para regulamentação das bets. Segundo Durigan, as pautas-bomba não foram assunto da reunião.
 

A PEC aprovada pelo Senado cria uma aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, estabelecendo idade mínima menor para essas categorias em relação aos demais segurados da Previdência.
 

Há ainda um benefício complementar a profissionais vinculados ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o direito à integralidade (aposentadoria com o mesmo salário da ativa) e à paridade (garantia de mesmo reajuste concedido aos servidores ativos). A medida deve impactar cerca de 377 mil pessoas.
 

Na corte, a leitura é a de que o tribunal tem sido rigoroso com iniciativas legislativas que preveem aumento de gastos sem estudos de impacto e sem especificação sobre medidas compensatórias, como ocorreu no caso da desoneração da folha de pagamentos.
 

Na ocasião, o plenário do STF entendeu que, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, a ampliação de incentivos fiscais não pode ocorrer sem que se indique de onde virá o dinheiro e como reparar a renúncia de receita. O julgamento foi finalizado em abril.
 

Diante do avanço de novas pautas-bomba no Congresso Nacional, o ministro Gilmar Mendes propôs a edição de uma súmula para definir que toda proposta legislativa que não obedeça a esses parâmetros seja automaticamente declarada inconstitucional.
 

Foi aberto um edital para que interessados no tema apresentem propostas de aprimoramento à redação da súmula, o que deve ocorrer até o fim de agosto. Depois, a sugestão de Gilmar será levada a julgamento, com tendência pela aprovação.
 

A expectativa nos bastidores do STF, porém, é a de que a eventual ação ajuizada pelo governo contra a PEC dos agentes de saúde tramite em um ritmo mais rápido -e que as discussões dos ministros em torno desse caso específico turbinem o debate sobre a súmula.
 

O Senado se manifestou contra a possibilidade de o Supremo fixar essa regra, por entender que ela transformaria a corte "em uma instância permanente de revalidação das escolhas orçamentárias e econômicas do Legislativo e do Executivo".
 

De acordo com a advocacia do Senado, o órgão de fato competente para controlar as estimativas de impacto orçamentário e de medidas compensatórias é o TCU (Tribunal de Contas da União), e não o Supremo.
 

Já a CNM (Confederação Nacional de Municípios) e a FNP (Frente Nacional dos Prefeitos) se manifestaram a favor da aprovação da súmula pelo Supremo. Segundo as entidades, a norma tem caráter preventivo, pois as pautas-bomba podem atingir a autonomia financeira dos entes subnacionais.

 

Vitória x Vasco: Veja prováveis escalações, horário e onde assistir o jogo pela 19ª rodada da Série A
Arte: Bahia Notícias

O Campeonato Brasileiro está de volta! Após a pausa para a Copa do Mundo, a Série A retorna nesta quinta-feira (16) com dois jogos: Vitória x Vasco, às 19h30, no Barradão, e Botafogo x Santos, no mesmo horário, no Estádio Nilton Santos. As partidas abrem a retomada da competição.

 

O último compromisso do Rubro-Negro foi a conquista da Copa do Nordeste sobre o Fortaleza, no dia 6 de junho, há 40 dias. Desde então, o elenco entrou de férias e se reapresentou no dia 28 de junho para iniciar a preparação visando a sequência da temporada. No Brasileirão, o Vitória ocupa a 13ª colocação, com 22 pontos, dois a mais que o Vasco, 17º colocado e primeiro time dentro da zona de rebaixamento.

 

Durante a intertemporada, a diretoria rubro-negra reforçou o elenco com quatro contratações: o zagueiro Emanuel Brítez, o lateral-direito Fabiano, o volante Walace e o meia Tomás Pochettino. Destes, apenas Fabiano não poderá estrear, já que a janela de transferências internacionais abre na sexta-feira (17). Por outro lado, deixaram o clube os zagueiros Neris e Ricielli, o lateral-direito Claudinho, o volante Ronald, o meia Pablo e os atacantes Renzo López e Pedro Henrique.

 

Para a volta do Brasileirão, o técnico Jair Ventura continua sem poder contar com os lesionados Camutanga, Nathan Mendes e Dudu, todos fora da temporada. O volante Rúben Ismael e o lateral-direito Matheus Silva estão recuperados e podem voltar a ser relacionados.

 

Sem Fabiano e com Matheus Silva ainda em processo de retomada do ritmo de jogo, a tendência é que o lateral-esquerdo Jamerson seja mantido improvisado na lateral direita diante do Vasco. Brítez, recém-contratado, também surge como opção para o setor. No restante da equipe, Jair Ventura deve preservar a base que vinha atuando antes da paralisação.

 

Depois de enfrentar o Vasco, o Vitória volta a campo na quinta-feira (23), quando encara o Botafogo, às 19h30, no Estádio Nilton Santos, em duelo atrasado da 4ª rodada do Campeonato Brasileiro.

 

Arte: Bahia Notícias

 

VASCO 

Abrindo a zona de rebaixamento da Série A, na 17ª colocação, com 20 pontos, o Vasco terá a estreia do técnico português Pedro Emanuel no confronto diante do Vitória. O treinador de 51 anos foi contratado no último dia 10 de julho para substituir Renato Gaúcho e teve menos de uma semana para preparar a equipe.

 

Antes da pausa no calendário, o Cruz-Maltino foi derrotado pelo Atlético-MG por 1 a 0, em São Januário, no dia 31 de maio. Em 18 rodadas do Campeonato Brasileiro, o Gigante da Colina acumula cinco vitórias e também tem a 17ª campanha como visitante, com quatro empates e quatro derrotas.

 

A principal expectativa é saber se o meio-campista Thiago Mendes e o atacante colombiano Andrés Gómez reúnem condições de iniciar a partida entre os titulares e se Pedro Emanuel optará por um centroavante de ofício ou por um ataque com maior mobilidade. Para o confronto, o Vasco não contará com o volante Hugo Moura, negociado com o Al-Fayha, da Arábia Saudita, nem com o meia-atacante Matheus França, que retornou ao Crystal Palace.

 

FICHA TÉCNICA

Vitória x Vasco
Campeonato Brasileiro - 19ª rodada da Série A
Local:
Barradão 
Data: 16/7/2026 (quinta-feira)
Horário: 19h30
Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP)
Assistentes: Miguel Cataneo Ribeiro da Costa (SP) e Rafael Tadeu Alves de Souza (SP)
VAR: Heber Roberto Lopes (SC)
Onde assistir: Premiere (pay-per-view)

 

Vitória: Lucas Arcanjo; Jamerson (Brítez), Cacá, Luan Cândido e Ramon; Baralhas, Emmanuel Martínez e Zé Vitor; Erick, Matheuzinho e Renê. Técnico: Jair Ventura. 

 

Vasco: Léo Jardim; Puma Rodríguez, Carlos Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton; Barros, Thiago Mendes e Tchê Tchê; Nuno Moreira, Spinelli e David.Técnico: Pedro Emanuel.


 

Licitação da ponte de acesso à BA-001 em Nazaré fracassa após desclassificação de todas as empresas participantes
Foto: Divulgação / Prefeitura de Nazaré

A desorganização das licitantes parece ter sido um banho de água fria ao sonho da construção da ponte que cortaria o Rio Jaguaripe e daria acesso à BA-001, no município de Nazaré, que compõe a região do Recôncavo Baiano. O edital de licitação que cortaria o rio que corta Nazaré das Farinhas foi dado como fracassado após nenhuma empresa envolvida na disputa conseguir se enquadrar às exigências da obra.

 

A estrutura que facilitaria o acesso à principal rodovia estadual da região teve seu edital publicado em maio deste ano pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). A audiência pública para escolher as propostas das empresas interessadas no certame ocorreu ainda em maio, mas não trouxe bons resultados.

 

Segundo a própria Secretaria de Infraestrutura, as empresas envolvidas apresentaram seus valores, mas nenhuma delas alcançou o desconto esperado no valor do serviço do processo licitatório. "Das oito empresas participantes, seis foram desclassificadas (quando não atendem à proposta de preço) e duas inabilitadas (quando não atendem aos requisitos de habilitação do edital)", apontou o órgão da administração pública estadual.

 

CONTEXTO HISTÓRICO
A cidade apresenta um histórico negativo com pontes que cruzam o Rio Jaguaribe. Das duas construções deste tipo no município, uma delas é limitada a pedestres e a outra, além de distante da via de acesso à BA-001, possui um histórico recente de interdição pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). A passarela foi fechada pelo MP em 2018 e só teve o tráfego liberado quase 6 anos depois. 

 

Nesse meio tempo, a necessidade de levar veículos para o outro lado do rio, principalmente em um trecho mais próximo à rodovia estadual, cresceu no histórico entreposto comercial.

 

A Prefeitura de Nazaré foi procurada pelo Bahia Notícias para falar sobre o insucesso da licitação, mas não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

 

Dnit desapropria área para obras de pavimentação da BR-235 no Norte baiano
Foto: Reprodução / Arquivo / MT

A Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) na Bahia conseguiu a desapropriação de um imóvel como parte das obras de pavimentação da BR-235 no Norte baiano. O trecho não foi informado.

 

A medida torna pública a decisão do juiz federal João Paulo Pirôpo de Abreu, titular da Vara Única da Subseção Judiciária de Paulo Afonso, que atendeu ação do Dnit e determinou a expedição de um edital de desapropriação. De acordo com o documento, a área passará a integrar o patrimônio do Dnit para viabilizar a execução das obras de infraestrutura previstas para a rodovia.

 

Em janeiro deste ano, o Dnit tinha conseguido uma desapropriação para a mesma rodovia no trecho entre Uauá e Paulo Afonso.

 

O edital foi assinado pelo superintendente regional do Dnit na Bahia, Roberto Alcântara. Segundo o Dnit, a BR-235 é uma rodovia transversal brasileira que atravessa a Bahia e os estados do Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Pernambuco e Sergipe.

 

A estrada tem entre outros objetivos fomentar o turismo histórico e ecológico nas regiões atendidas.


 

Além da punição: Como a redução da maioridade penal ameaça a rede de proteção do ECA até os 21 anos
Foto: Reprodução / Agência CNJ de Notícias

Há cerca de um mês, antes da oficialização do recesso semestral da Câmara dos Deputados, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a admissibilidade da proposta de emenda à Constituição (PEC) 32/2015 que reduz a maioridade penal dos atuais 18 para 16 anos de idade. O movimento desengavetou uma proposta que impacta não apenas os dados da segurança pública e do encarceramento no Brasil, mas a garantia dos direitos de jovens e crianças no país. 

 

No cenário atual, a Constituição Brasileira fixa, por meio do Artigo 228, a maioridade penal e jurídica à idade mínima de 18 anos. Aos menores de idade são aplicadas as sanções baseadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), entre elas, as medidas socioeducativas. 

 

O texto do Estatuto indica que para as crianças e adolescentes de 12 a 18 anos que cometem atos infracionais podem ser aplicadas até seis medidas: advertência, reparação de dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. No caso desta última, o limite máximo é de 3 anos ou até os 21 anos de idade. 

 

Acontece que o ECA não apenas delimita a aplicabilidade de punições aos jovens infratores. A finalidade essencial do Estatuto é garantir a segurança jurídica para o reconhecimento e a garantia de acesso aos direitos a todas as crianças e jovens brasileiros entre 0 e 21 anos. 

 

No Congresso Nacional, três propostas de emenda à constituição (PECs) propõem a redução da maioridade penal em textos distintos, que condicionam a mudança a diferentes termos. No texto aprovado pela CCJ, a PEC 32/2015, do ex-deputado Gonzaga Patriota (PE), a redução da maioridade seria aplicada apenas à punição criminal atribuída a jovens com mais de 16 anos, mantendo os direitos civis restritos a pessoas maiores de 18 anos. 

 

A PEC 8/2026, do deputado baiano Capitão Alden (PL) propõe uma redução da maioridade penal aplicada excepcionalmente, ou seja, apenas em crimes hediondos ou de crueldade extrema. Já o texto da deputada Júlia Zanatta (PL-SC), na PEC 9/2026, sugere uma redução geral para 16 anos, considerando todos os crimes e estabelecendo que adolescentes de 12 a 16 anos também respondam criminalmente se cometerem crimes com violência, grave ameaça ou contra a vida.

 

Em um cenário como esse, onde diversas propostas tentam estabelecer a redução da maioridade penal, os direitos estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente ainda podem ser garantidos no Brasil?

 

PALAVRAS DO ESTATUTO 
O Estatuto da Criança e do Adolescente foi estabelecido oficialmente por meio da Lei Federal nº 8.069/1990. Recém-completados 36 anos dessa legislação, ela segue sendo a principal legislação brasileira a garantir a proteção integral dos direitos das pessoas menores de 18 anos e, excepcionalmente, até os 21 anos. 

 

No texto do Estatuto, defende-se que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. 

 

Dadas essas considerações, o texto impõe às famílias, à sociedade civil e ao poder público orientações para garantir que as crianças e jovens brasileiros possam acessar seus direitos considerados fundamentais. “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais”, diz o Artigo 5° do Estatuto. 

 

Acontece que a vivência de crianças e jovens é atravessada por diversos fatores sociais e econômicos que podem impactar direta e indiretamente no seu desenvolvimento e no acesso aos direitos estabelecidos em lei. Por vezes, esse direito é diretamente violado. 

 

Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos, referentes a 2025, a Bahia registrou 31.837 denúncias de violações de direitos humanos, sendo que 46,90% delas foram efetuadas contra crianças e adolescentes, sendo eles o grupo mais vulnerável do estado e do país. A maior parte dessas violações ocorre ainda dentro de casa ou em ambientes conhecidos da criança e/ou do abusador em questão. 

 

Vale destacar que nem todas as violações de direitos são expressas em forma de violência direta ou explícita. Em 2023, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), agência da ONU dedicada à fiscalização dos direitos de crianças e adolescentes, divulgou um estudo sobre o tema. 

 

A pesquisa "As Múltiplas Dimensões da Pobreza na Infância e na Adolescência no Brasil", com dados de 2019 a 2022, constatou que, em todo o país, ao menos 32 milhões de meninas e meninos (63% do total) de até 17 anos viviam na pobreza, em suas múltiplas dimensões: renda, educação, trabalho infantil, moradia, água, saneamento e informação.

 

Esse cenário demonstra as complexidades em torno da aplicação do ECA, considerado uma das legislações mais completas do mundo na defesa de direitos infantojuvenis.

 

MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS NA BAHIA 
A legislação atual impõe que a execução das medidas em meio fechado, ou seja, em privação de liberdade, é responsabilidade dos Estados e as medidas em meio aberto ficam sob atribuição dos municípios. Na Bahia, as unidades socioeducativas são de responsabilidade do Estado, sob a gestão da Fundac (Fundação da Criança e do Adolescente), autarquia vinculada à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado.

 

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 269 jovens vivem em unidades socioeducativas em toda a Bahia. Os dados são obtidos pela entidade a partir das inspeções judiciais às unidades de atendimento. No painel do CNJ estão registradas 10 unidades de atendimento socioeducativo do estado e todas foram inspecionadas.

 

Com base em informações do 3° bimestre do ano, ou seja, entre maio e junho deste ano, as Comunidades de Atendimento Socioeducativo (Cases) baianas operam com 53,37% de sua capacidade, sendo capazes de atender até 504 jovens. Em sua maioria, os quase 270 já acolhidos nas unidades são homens (98,9%), pardos (50%), entre 17 e 21 anos (65,5%). 

 

Para falar sobre a gestão das Cases, o Bahia Notícias conversou com a diretora-geral da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), Regina Affonso de Carvalho. Ao BN, a gestora destaca que o perfil dos jovens em medida socioeducativa vai além dos dados básicos. 

 

Segundo ela, esses jovens são resultado de violações substanciais de direitos. “São pretos, são pobres, são moradores de periferia. É onde o Estado não alcança com políticas sociais”, afirma. A gestora destaca que, além da punição pelo ato infracional, as medidas socioeducativas visam o cumprimento dos direitos infantojuvenis. 

 

“A medida socioeducativa, ela tem uma finalidade pedagógica. Eu responsabilizo o adolescente pelo ato cometido, mas trabalho também para que ele compreenda as consequências de suas escolhas e consiga reconstruir seu projeto. A prisão, ela tem um um viés essencialmente punitivo e o sistema socioeducativo é o contrário, busca fazer com que o adolescente possa romper com o ciclo da violência antes que isso se consolide”, avalia. 

 

Regina Affonso destaca que os jovens baianos em cumprimento de medidas têm acesso garantido à educação básica, atendimentos de saúde e de caráter psicossocial. “Essas Cases, que são comunidades de atendimento socioeducativo, dão também as condições para que as equipes multiprofissionais desenvolvam um trabalho mais qualificado”, diz a diretora da Fundac. 

 

“São psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, profissionais da área de saúde e os agentes socioeducadores, o que possibilita atuar de forma integrada, identificar as necessidades individuais e acompanhar a trajetória de cada adolescente”, destaca Regina. 

 

Esse acompanhamento próximo a cada adolescente ou jovem faz parte de uma das tarefas das unidades socioeducativas, que é a montagem de um plano individual de atendimento (PIA), que é compartilhado com os magistrados das Varas de Infância e Juventude que acompanham a efetividade das medidas e executam as ações de permanência em internato, alteração para semiliberdade e outras medidas. 

 

O processo é ainda mais complexo e cuidadoso com os jovens que completam a maioridade em meio ao cumprimento das medidas socioeducativas: “Quando ele está conosco e completa os 18 anos, ele continua sendo acompanhado dentro das diretrizes do sistema socioeducativo, para que a medida judicial permaneça vigente. Mas nesse período, nós intensificamos as ações voltadas à preparação para a vida adulta, o distanciamento da violência, e o acesso à escolarização e profissionalização garantido”, sustenta. 

 

As falas da gestão são corroboradas pelos dados. 

 

Nas unidades socioeducativas da Bahia todas as unidades oferecem atendimento na rede de atendimento psicossocial, a metade possui atendimento de saúde dentro da unidade – além da articulação com órgãos municipais ou estaduais externos – e três oferecem acompanhamento especial para jovens transexuais ou transgênero. Na análise do CNJ, isso impõe que 78,44% dos adolescentes têm acesso pleno à saúde nas unidades. 

 

No panorama da educação, os números são similares. Na Bahia, 90,71% dos jovens e adolescentes estão matriculados no ensino formal e 91,45% estudam regularmente. No que diz respeito à estrutura física, metade das unidades possui escola interna. 

 


Foto: Agência CNJ de Notícias 

 

Os dados são quase opostos ao que pode ser notado no sistema prisional baiano. 

 

Conforme dados do Anuário da Segurança Pública de 2025, divulgados pelo Bahia Notícias, a Bahia possuía, até 2024, a 16ª maior população carcerária do país, com 16.128 pessoas encarceradas. 

 

Do total de 16.128 pessoas encarceradas em unidades prisionais baianas, apenas 3.060 delas realizam laboterapia, um método de terapia ocupacional focada na realização de atividades de trabalho. Ou seja, o índice de pessoas trabalhando no sistema prisional baiano é de apenas 19%, menor que o índice nacional, de 20%, e se configura como um dos piores do país.

 

O Anuário não disponibilizou informações sobre o acesso à saúde ou educação formal dentro do sistema prisional. 

 

Na tentativa de preencher essa lacuna, o Bahia Notícias entrou em contato com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) para obter dados sobre as unidades médicas no sistema prisional baiano e o seu tamanho de suporte; além de informações sobre a quantidade de presos que realizam atividades de educação prisional. O espaço segue aberto para o posicionamento da entidade. 

 

Ainda assim, no caso da educação, um ponto de referência pode ser o número de inscritos que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL). No ano de 2025, foram 5.099 detentos inscritos, representando cerca de 31,62%, da população carcerária registrada em 2024. Nesses termos o número seria de menos de um terço. 

 

O Bahia Notícias conversou com o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Felipe Freitas, sobre as possíveis implicações de uma redução da maioridade penal nesse cenário de organização governamental e jurídica. 

 

Em entrevista ao BN, o gestor sustenta que é importante compreender de onde surge o apelo popular e político em torno da redução da maioridade penal. “Acho que esta é a primeira coisa importante nesse debate da revisão, pois fica muitas vezes parecendo que essas pessoas estão sem punição. Então, a primeira coisa importante a se dizer é: a lei brasileira prevê responsabilidade para adolescentes que infrinjam a lei penal”, garante. 

 

Como já delimitado, ele volta a explicar o funcionamento das medidas socioeducativas e destaca que ainda que haja adolescentes e jovens infratores – que já respondem  ou podem responder por suas ações – a participação desses jovens no índice de violência não é tão relevante. 

 

“A participação de adolescentes corresponde a uma parte muito pequena do total dos crimes violentos, apenas cerca de 1 ou 2, até 5% dos cenários mais radicalizados [de violência], mas não passa de 1% o número de participação dos adolescentes, no total dos crimes violentos praticados no país. A Bahia mantém a mesma média. Então, não é verdade que os adolescentes são responsáveis pela maior parte da violência sofrida no Brasil”, afirma. 

 

No que tange aos impactos práticos dessa possível medida, o secretário, que é doutor em Direito, aponta duas frentes de análise: a sobrecarga do sistema prisional e o fortalecimento das organizações criminosas nos presídios. 

 

“A transferência desses adolescentes para o sistema prisional, você ampliaria o problema da superlotação, que hoje já é um problema nacional de déficit de vagas no sistema prisional, gerando uma sobrecarga ainda maior”, alega o jurista. 

 

No entanto, o problema de ordem social, para Freitas, é mais importante: “O principal e o pior impacto é colocar esses adolescentes em um contato mais acelerado com adultos que cometeram crimes tão graves quanto ou pior do que eles cometeram, e vai, com isso, acelerar o processo de assédio desses adolescentes por grupos de organizações criminosas", explica. 

 

Ao falar sobre os impactos da mudança na aplicação de diretrizes do ECA, ele responde que “não é possível dentro do sistema prisional assegurar para o adolescente as mesmas garantias do Estatuto da Criança e do Adolescente por conta da natureza”. “Na prática, eles ficariam sem assistência do ECA porque são duas estruturas [legais] diferentes, com lógicas distintas”, reitera. 

 

Ao BN, ele afirma que a discussão em torno da redução da maioridade “tira o foco do debate real”. “O Congresso Nacional precisava fazer nesse momento o debate sobre a PEC da Segurança Pública, sobre o combate às facções e às organizações criminosas, o enfrentamento às milícias e a desarticulação do crime organizado. Essas, a meu ver, são as prioridades legislativas sobre as quais o Congresso Nacional deveria estar preocupado”, alega o secretário. 

 

Ao falar sobre a perspectiva de novos debates em torno da juventude e da gestão de segurança pública, Regina Affonso destacou que o ideal é pensar em uma ampliação de direitos à juventude e no aparelhamento das unidades socioeducativas. 

 

“Eu acho que é necessária uma ampliação e maior oferta de atendimentos na área de saúde mental, as políticas de prevenção ao uso de drogas e consolidar programas de inserção no mercado de trabalho e reforçar o atendimento às famílias”, afirma. 

 

Ela expõe que no caso da efetivação da redução da maioridade penal “o Estado perde é principal somente aquilo que a ciência e a legislação reconhecem como essencial: a possibilidade de uma intervenção pedagógica humanizada em uma fase decisiva do desenvolvimento desses e dessas adolescentes”. 

 

“Você vai jogar esses adolescentes num sistema prisional que não vai reeducar de modo algum”, sintetiza a gestora. Assim como apontado pelo gestor da SJDH, a diretora da Fundac reitera: 

 

“Nós não podemos permitir que o Estado abra mão de uma política pública voltada para ressocialização, para reconstrução de vidas e expor essa juventude a um ambiente reconhecidamente mais violento, com maiores riscos de fortalecimento dos vínculos, com organizações criminosas e a falta de esperança”, ressalta. 

 

No cenário atual, a proposta mais avançada de proposta para a redução da maioridade penal é a PEC 32/2015, que ao ser aprovada pela CCJ da Câmara dos Deputados, deve ser enviada para uma comissão especial de análise, que também já foi criada, no último dia 6 de julho. 

 

Para ser efetivada, a matéria deve passar pela comissão especial e, posteriormente, ser votada e aprovada em plenário na Câmara por uma maioria de 3/5 dos deputados, o equivalente a 308, em dois turnos de votação. Em seguida, o texto passaria pelo mesmo rito no Senado antes de ser promulgado, sem necessidade de sanção presidencial, dada a prerrogativa do Legislativo de promover mudanças na legislação federal.