Lista de rejeitados ao STF antes de Messias inclui general espírita, médico e chefe dos Correios
Foto: Arquivo histórico do Itamaraty

O adjetivo "histórico" acompanhou os relatos sobre a derrota do presidente Lula (PT) na quarta (29). Como se sabe, 42 senadores votaram contra a escolha de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto 34 se manifestaram a favor do advogado-geral da União.
 

O Senado não se contrapunha à indicação de um presidente da República para uma vaga no tribunal desde 1894, quando Floriano Peixoto comandava o país.
 

Floriano e Lula saíram chamuscados com o veto dos senadores, mas há uma diferença de grau entre esses dois momentos.
 

O "não" para o Marechal de Ferro, como o militar alagoano era chamado, soou mais veemente do que o recebido pelo líder petista, afinal cinco nomes da confiança de Floriano foram barrados no Senado em um intervalo de apenas três meses, de setembro a novembro de 1894.
 

Naquela década final do século 19, o Brasil enfrentava um período de transições, lembra Carlos Ari Sundfeld, professor titular da FGV Direito. Não apenas vivia ainda a passagem da monarquia para a república, proclamada em 1889; estava em meio à mudança de um cenário de poderes regionais consolidados para um quadro de forte centralização.
 

"Ao buscar essa centralização, Floriano vai se chocar com o Senado, que representava esses núcleos regionais", afirma Sundfeld.
 

Além disso, o estilo abertamente autoritário do segundo presidente do país provocava insatisfações crescentes entre os parlamentares.
 

Mas esse mal-estar entre o Executivo e o Senado não explica por completo as decisões tomadas 132 anos atrás. O Marechal de Ferro não se importava com o alcance do repertório jurídico dos seus escolhidos e foi castigado pela soberba.
 

Conheça os cinco indicados de Floriano, que foram rechaçados pelos senadores em três momentos.
 

UM MÉDICO, O PRIMEIRO REJEITADO
A Constituição de 1891 era pouco específica em relação aos atributos necessários para um ministro do STF, uma brecha usada por Floriano para indicar alguns nomes para o tribunal. A Carta apontava apenas "notável saber e reputação"; os textos seguintes, inclusive a Constituição atual, passaram a contemplar o notável saber jurídico.
 

Em outubro de 1893, o presidente escolheu para uma das vagas abertas o médico Cândido Barata Ribeiro, que assumiu a função no mês seguinte. Naquela época, como lembra a jurista Maria Ângela de Santa Cruz Oliveira, era possível ocupar o cargo provisoriamente, antes que o Senado avaliasse a nomeação.
 

Baiano formado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (hoje integrada à UFRJ), Barata Ribeiro havia dirigido instituições de saúde e se envolvido em campanhas pela abolição da escravatura e pelo fim da monarquia. Também tinha sido nomeado por Floriano prefeito do Distrito Federal, cargo que exerceu por seis meses.
 

Em setembro de 1894, quando Barata Ribeiro já completava 11 meses no cargo, o Senado colocou o nome dele em votação e o rejeitou por larga margem. A recusa se deu porque "era médico e não tinha formação acadêmica jurídica", registra Oliveira em seu estudo sobre o tema.
 

MAIS DOIS NOMES RECUSADOS PELO SENADO

Em decretos publicados em setembro de 1894, Floriano indicou outros aliados para cargos de juízes do STF. Dos seis nomes escolhidos por ele, dois saíram derrotados em votações no Senado no mês seguinte: o general Inocêncio Galvão de Queiroz e o subprocurador da República Antônio Sève Navarro.
 

A reprovação do baiano Galvão de Queiroz não foi uma surpresa. Engenheiro, havia sido condecorado pela atuação na Guerra do Paraguai e percorrido diversos estados ocupando funções militares estratégicas até se tornar general. Depois, foi eleito senador.
 

Era um expoente nas searas militar e política, mas nunca uma referência nas letras jurídicas. Para vetar o nome de Galvão de Queiroz, os senadores apontaram a mesma razão apresentada semanas antes para reprovar Barata Ribeiro.
 

O caso do pernambucano Sève Navarro parece menos óbvio. Bacharel em direito, ocupou cargos como promotor público e juiz em cidades do interior gaúcho. Atuou como advogado em Pelotas —na ilustração acima, lê-se, sob o nome dele, a frase "uma das glórias do foro pelotense".
 

Da carreira jurídica, saltou para a esfera política. Foi deputado provincial no Rio Grande do Sul e, mais tarde, federal. Sob a presidência de Deodoro da Fonseca, chegou a subprocurador da República.
 

Ao contrário de Galvão de Queiroz, Sève Navarro havia trilhado um caminho bem-sucedido no campo do direito. Ainda assim, sua indicação foi rejeitada. É provável que, neste caso, a decisão tenha sido motivada menos pelo currículo do advogado e mais pelos atritos entre Floriano e os senadores.
 

NÃO A GENERAL E A DIRETOR DOS CORREIOS

Em outubro de 1894, o Marechal de Ferro apresentou suas últimas indicações para o STF –ele deixou a presidência em meados do mês seguinte. Dos cinco nomes de Floriano, dois não receberam votação suficiente do Senado.
 

A recusa em relação ao general Ewerton Quadros seguiu as razões apontadas nos casos de Barata Ribeiro e Galvão de Queiroz. Formado em engenharia, o maranhense foi um dos comandantes militares com atuação decisiva durante a Revolta da Armada e a Revolução Federalista, conflitos que ocorreram durante o governo Floriano.
 

Era definitivamente um homem das armas, não da Constituição.
 

Uma curiosidade em relação a Quadros é que, paralelamente à carreira militar, foi um defensor enfático da doutrina espírita. Escrevia regularmente na imprensa ligada à religião e foi um dos nomes-chave na fundação da Federação Espírita Brasileira, da qual se tornou o primeiro presidente.
 

Há menos clareza sobre os motivos que levaram o Senado a recusar a indicação para o STF de Demosthenes da Silveira Lobo, então diretor-geral dos Correios. O prestigiado senador Campos Salles, eleito presidente quatro anos depois, defendeu a escolha de Silveira Lobo, mas o apoio resultou insuficiente.
 

Para a jurista Maria Ângela de Santa Cruz Oliveira, é possível que tenham pesado contra ele as acusações feitas na tribuna por dois outros senadores, Coelho Rodrigues e Coelho e Campos.
 

O que esses parlamentares disseram contra Silveira Lobo? As respostas estariam nas atas das sessões secretas dessa época, mas elas nunca foram encontradas.


 

Câmara gasta R$ 1,3 milhão em 4 meses com viagens de deputados e Cajado aparece entre beneficiados com classe executiva
Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

O deputado federal baiano Cláudio Cajado (PP) está entre os parlamentares beneficiados com passagens em classe executiva em viagens oficiais custeadas pela Câmara dos Deputados nos primeiros quatro meses do ano. Conforme reportagem do O Globo publicada neste domingo (3), a lista conta com mais seis nomes, entre eles, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

 

Os outros beneficiados com a classe executiva foram: Arthur Lira (PP-AL), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Átila Lira (PP-PI), Juscelino Filho (PSDB-MA) e Zacharias Calil (MDB-GO).

 

De acordo com os dados da coluna Lauro Jardim, a Câmara desembolsou R$ 1,3 milhão com viagens internacionais de 53 deputados federais para 16 países. Desse total, apenas sete parlamentares tiveram o privilégio de voar em classe executiva, enquanto os demais viajaram em classe econômica ou em aeronaves da Força Aérea Brasileira.

 

Entre os casos de maior custo, Hugo Motta teve passagens emitidas para Boston ao valor de R$ 45 mil, embora sua assessoria tenha informado posteriormente que a viagem foi cancelada e o ressarcimento solicitado à companhia aérea. Motta também viajou em classe executiva para Frankfurt, em março, com bilhetes de R$ 14,5 mil.

 

Já Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro viajaram para Paris com passagens que custaram R$ 42 mil para cada um.

 

Ao todo, os deslocamentos oficiais bancados pela Câmara contemplaram viagens para países como Estados Unidos, França, Alemanha, China, Índia, Turquia e Coreia do Sul.

 

Prefeito de Jequié faz mudanças no secretariado e nomeia novos titulares para Saúde e Governo
Foto: Reprodução / Blog Marcos Frahm

O prefeito de Jequié, Flávio Santana (União), promoveu alterações no secretariado municipal, com mudanças nas pastas da Saúde e do Governo. As nomeações foram publicadas no Diário Oficial do Município.

 

Na Secretaria de Saúde, a primeira-dama e odontóloga Mariana de Freitas Oliva foi nomeada para o cargo, em substituição a Marlon Pereira. Ele ocupava a função desde o início do primeiro mandato do ex-prefeito Zé Cocá (PP) e deixou o posto para atuar na pré-campanha do ex-gestor ao cargo de vice-governador da Bahia.

 

Já na Secretaria de Governo, Wagner Amparo deixou o cargo, que também ocupava desde a gestão de Zé Cocá. Ele foi substituído por Matheus Silva dos Anjos, que possui doutorado em Administração Pública, mestrado em Políticas Públicas pela Fundação Getulio Vargas e especialização em Gestão Tributária pela Universidade de São Paulo.

 

Assim como Marlon Pereira, Wagner Amparo solicitou exoneração para atuar na pré-campanha estadual, em apoio ao projeto político de Zé Cocá.

 

As informações são do Blog Marcos Frahm, parceiro do Bahia Notícias.


 

Crianças mortas em incêndio na Bahia são identificadas
Foto: Reprodução / Portal Clériston Silva

As três crianças mortas em um incêndio registrado na manhã deste domingo (3), no bairro Ginásio, em Serrinha, na região sisaleira, foram identicadas. As vítimas são Jeremias de Jesus Borges, de 6 anos, Samuel Nascimento de Almeida, de 4, e Ismael Nascimento de Jesus Borges, de 11 meses.

 

Foto: Reprodução / Redes Sociais

 

De acordo com o g1, o incêndio teria começado após uma das crianças atear fogo a um colchão enquanto brincava com um isqueiro dentro da residência. Uma quarta criança, uma menina de sete anos, também estava no imóvel no momento do incidente.

 

Segundo relatos, ela tentou socorrer os irmãos, mas não conseguiu. A criança saiu da casa pedindo ajuda e foi encaminhada a uma unidade de saúde com ferimentos leves.

 

Foto: Reprodução / Redes Sociais

 

A mãe das crianças, de 27 anos, foi presa em flagrante ao retornar à residência. Conforme informações da polícia, há suspeita de abandono de incapaz, já que ela teria deixado os quatro filhos sozinhos durante a noite para participar de uma festa. O caso segue sob investigação.

 

MPF recomenda que faculdades na Bahia adotem bancas de heteroidentificação para evitar fraudes no Prouni
Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF) enviou recomendação a 24 Instituições de Ensino Superior (IES) em Salvador e no interior da Bahia para que adotem mecanismos complementares à autodeclaração dos candidatos às bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni).

 

A principal orientação é a criação de bancas de heteroidentificação, responsáveis por confirmar, com base no fenótipo, a veracidade das informações prestadas por candidatos que concorrem às vagas de cotas raciais. O objetivo da medida é assegurar a efetividade das políticas afirmativas e evitar fraudes no acesso às bolsas destinadas a estudantes negros, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.

 

A recomendação foi assinada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) adjunto na Bahia, Ramiro Rockenbach. No documento, o procurador argumenta que as instituições devem cumprir o dever legal de aferir as informações prestadas pelos candidatos beneficiários do programa, conforme previsto na Lei nº 11.096/2005, que regulamenta o Prouni, e na Lei nº 14.350/2022, que aperfeiçoa sua sistemática de operação.

 

Segundo o MPF, a simples autodeclaração não impede irregularidades e pode comprometer o objetivo da política pública. “O sistema de cotas existe para enfrentar desigualdades históricas e ampliar oportunidades. É fundamental que as vagas reservadas sejam ocupadas por quem realmente tem direito, garantindo justiça e credibilidade ao programa”, afirmou Ramiro Rockenbach.

 

A recomendação elenca decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecem a constitucionalidade das cotas raciais e a legitimidade das bancas de heteroidentificação como instrumento complementar à autodeclaração, desde que respeitados a dignidade da pessoa humana, o contraditório e a ampla defesa.

 

Para o MPF, a ausência de mecanismos de controle pode permitir que candidatos sem perfil legal ocupem vagas destinadas a grupos historicamente vulnerabilizados. “Quando há fraude, quem perde é o estudante que depende dessa oportunidade para transformar sua realidade. O papel das instituições é proteger a integridade do programa e assegurar igualdade material no acesso ao ensino superior”, acrescentou Rockenbach.

 

As instituições notificadas têm prazo de dez dias para informar ao MPF se acatarão a recomendação e quais providências administrativas serão adotadas. O não atendimento poderá resultar na adoção das medidas judiciais cabíveis.

 

Keno Marley vence Brasileiro de Boxe e chega ao sexto título nacional na carreira
Foto: Divulgação

O boxe baiano voltou a subir ao lugar mais alto do pódio nacional neste domingo (3). Em Foz do Iguaçu, no Paraná, Keno Marley Machado conquistou o Campeonato Brasileiro de Boxe Elite 2026 na categoria até 90kg e ampliou sua trajetória vitoriosa na competição, chegando ao sexto título brasileiro da carreira.

 

A campanha do atleta começou nas quartas de final, por ser cabeça de chave do torneio. A partir daí, Keno precisou passar por três adversários para confirmar mais uma conquista nacional. Na decisão, o baiano derrotou o mineiro Davi Vitorino e garantiu o ouro.

 

Após a final, o lutador falou sobre o significado da conquista e citou o processo de preparação até o retorno ao topo.

 

"Esse título tem um significado muito grande pra mim. Só eu sei o que foi preciso passar pra chegar até aqui de novo. Cada treino, cada momento difícil, tudo isso passa na cabeça. Sou muito grato à minha família, à minha equipe e a todos que estiveram comigo nessa caminhada", afirmou.

 

Além da equipe técnica e da família, Keno também fez questão de mencionar o papel de quem contribui para a manutenção da carreira fora dos ringues.

 

"Aos patrocinadores e apoiadores, meu respeito e agradecimento. Eles são fundamentais para que eu continue evoluindo. Quando uma empresa investe em um atleta, ela ajuda a transformar o esporte e abrir caminho para muitos outros", completou.

 

Depois da conquista nacional, o calendário de Keno Marley já aponta para um novo compromisso internacional. O baiano tem luta marcada para o dia 13 de junho, em Orlando, nos Estados Unidos, onde fará sua segunda apresentação como boxeador profissional.

 

Alanis Guillen consegue medida protetiva contra ex-namorada que ofendeu Preta Gil com piada racista
Foto: Instagram

A atriz Alanis Guillen, no ar com a novela 'Três Graças', conseguiu na Justiça uma medida protetiva contra a ex-namorada, a produtora Giovanna Reis, envolvida em uma grande polêmica após ter declarações racistas e gordofóbicas, entre eles, um comentário sobre Preta Gil.

 

De acordo com o colunista Gabriel Vaquer, do Folha de S.Paulo, desde o término do relacionamento, em março deste ano, Giovanna teria adotado comportamentos insistentes, com tentativas frequentes de contato, além de ameaças de exposição de sua vida privada e idas indevidas à sua residência, o que configura invasão de domicílio.

 

Segundo a publicação, a situação teria avançado a ponto de Giovanna procurar colegas de elenco de Alanis para intimidar a atriz. O colunista afirma que registros anexados ao processo comprovam as acusações.

 

Com isso, a Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido da defesa de Alanis Guillen com base na Lei Maria da Penha, entendendo que o caso se enquadra em violência psicológica, perseguição e constrangimento.

 

Desta forma, fica determinado que Giovanna não pode manter qualquer tipo de contato com Alanis, seja por telefone, redes sociais ou aplicativos de mensagem, além de estar proibida de fazer comentários públicos ou divulgar qualquer informação sobre a vida privada da artista.

 

RELEMBRE O CASO
Em março deste ano, Giovanna Reis foi exposta nas redes sociais após falas preconceituosas serem atribuídas a um antigo perfil dela no X, antigo Twitter.

 

A produtora fez comentários preconceituosos em 2012, com declarações racistas, homofóbicas, gordofóbicas e transfóbicas, e se tornou  ‘persona non grata’ do Expresso 2222 por um post sobre Preta Gil. 

 

Por meio de nota, Giovanna confirmou ser a dona do perfil, afirmou que a conta pertencia a ela quando tinha 16 anos e que sentia vergonha de tudo que estava acontecendo.

 

“Ao me deparar com os conteúdos publicados ali, senti um misto de choque e imensa decepção comigo mesma. Palavras das quais tenho profundo arrependimento. Independentemente de idade ou contexto, eu errei. E a todas as pessoas que foram feridas, direta ou indiretamente, eu peço desculpas de forma sincera. Aquelas falas definitivamente não representam quem eu sou hoje”, afirmou.

 

Maioria das empresas que abriram capital desde 2016 vale menos que no IPO
Foto: B3 / Divulgação

O retrato atual do que aconteceu na última década com as empresas que estrearam no mercado de ações levanta algumas questões importantes para o investidor e pode ser útil para encarar os próximos dez anos.
 

Das 92 companhias que fizeram ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) na Bolsa brasileira desde 2016, 20 delas deixaram o mercado no período. Entre as 72 empresas que seguem listadas, somente 16 registram desempenho positivo em relação ao preço fixado no IPO até o dia 24 de abril, e apenas 5 superaram o índice Bovespa no período.
 

Nesse bolo, há empresas de características e setores diversos —varejo e tecnologia concentraram quase 35% dos IPOs—, cujas performances se explicam por diferentes razões.
 

Ainda assim, os números, fruto de um levantamento feito pela assessoria financeira especializada em fusões e aquisições e mercado de capitais Seneca Evercore, servem como um bom alerta aos investidores que embarcam em ofertas sem avaliar com calma o perfil e os objetivos das empresas que se propõem a entrar no mercado de ações, sobretudo em períodos de euforia.
 

Isso é válido diante de um mercado que não vê operações há mais de quatro anos e ensaia registrar a primeira delas em breve, a despeito de ainda parecer distante de recobrar o vigor apresentado em 2020 e 2021, período em que se concentraram mais de 80% dos IPOs das companhias que entraram na Bolsa nos últimos dez anos e que ainda estão listadas.
 

Na semana passada, a Compass Gás e Energia, empresa do grupo Cosan, anunciou seu plano de listagem em Bolsa —o único esperado pelo mercado em um momento em que temores em relação à inflação e aos juros altos se misturam. A previsão é que o preço final de venda por ação seja anunciado em 7 de maio.
 

Rodrigo Mello, sócio-fundador da Seneca Evercore, diz que ter 56 de um total de 72 empresas listadas desde 2016 cujas ações valem hoje menos do que o preço fixado no IPO é ainda mais surpreendente diante do bom desempenho da Bolsa em 2026 e da abundância de recursos estrangeiros recebidos no período (mais de R$ 60 bilhões).
 

"E isso não leva em conta, por exemplo, que o investidor poderia ter pego esse mesmo dinheiro e deixado no CDI. Olhando por aí, o prejuízo é ainda maior", diz Mello.
 

Mello lembra, porém, que o investidor que decidiu entrar no IPO não perdeu dinheiro necessariamente porque no meio do caminho pode ter vendido o papel.
 

Ainda assim, ressalta, chama a atenção que, do universo de 92 companhias que estrearam na Bolsa desde 2016 (incluindo aqui as que deixaram o mercado no período), em apenas 25% dos casos o desempenho das ações no primeiro ano após a listagem é positivo.
 

Os 75% restantes apresentam retorno mediano negativo no primeiro ano após o IPO, com uma queda de 65% entre as 25% piores. Um ano, diz Mello, é um prazo relativamente curto para investimentos em ações, o que significa que, provavelmente, o prejuízo, nesse caso, tenha ficado com o investidor que entrou na oferta.
 

Pedro Moura, analista de empresas da gestora Reach Capital, diz que, normalmente, uma oferta é malsucedida por uma conjunção de fatores: reversão do ciclo econômico, perspectivas de crescimento superestimadas, ou planos de investimento que não remuneram adequadamente o capital.
 

No rol de empresas que testam a janela de abertura de mercado, diz Moura, há empresas em estágios de maturidade diferentes e, dependendo do ciclo do negócio, o IPO pode se provar inadequado para aquele momento. "Mas ex ante [antes do fato] é difícil fazer um julgamento objetivo, é muito caso a caso", diz.
 

De modo a comparar os desempenhos das 72 empresas que abriram capital desde 2016 e continuam listadas na Bolsa, a assessoria também fez o exercício de calcular a taxa de crescimento anualizada das ações dessas companhias, dividindo-as em quatro grupos, com 18 empresas cada um.
 

Enquanto o grupo 1, que reúne as ações com melhor retorno anual desde seus respectivos IPOs até o dia 24 de abril, apresenta alta média anual de 7,7%, o grupo 4, com os piores desempenhos acumulados, registra uma taxa de retorno média anual negativa de 43%.
 

Segundo Mello, embora o levantamento abarque um período de dez anos, na prática, 61 das empresas listadas fizeram o IPO há cinco ou seis anos. De lá para cá, houve um grande e rápido salto nos juros, tornando os investimentos em renda fixa quase imbatíveis. A taxa básica de juros entrou 2021 em 2% ao ano, o piso histórico, chegando aos 15% em meados de 2025, recorde em quase 20 anos.
 

Além disso, diz ele, juro alto e crescimento econômico mais baixo, entre outros fatores, causaram endividamento grande entre empresas que tomaram crédito quando o juro estava menor. "Todas as empresas com dívida sofrem, mas as que estão na Bolsa a gente consegue ver", diz Mello.
 

Diante do desafio de fazer um bom investimento, Mello diz que os investidores precisam ser mais seletivos e, dado tudo o que passaram nesses anos, que tenham uma barra mais alta para só participar de ofertas de empresas que realmente tenham uma boa história e estejam prontas para acessar o mercado.
 

Para Moura, da Reach, o investidor deve analisar as premissas e os motivos da abertura de capital pela empresa e avaliar se o projeto e o valor da companhia fazem sentido considerando o apetite individual a risco. "E, especialmente, evitar entrar em momentos de euforia generalizada."

 

Série B do Baianão estreia com chuva de gols do Fluminense e goleada histórica do Barreiras; veja resultados
Fotos: Rafael Falcão e Levi Castro

A Série B do Baianão começou sem economizar gols. A primeira rodada terminou no último domingo (3) com 23 bolas na rede em cinco jogos — uma média de 4,6 por partida — e duas goleadas que ditaram um tom ofensivo no início da competição.

 

JOGOS DE SÁBADO
A rodada foi aberta no sábado (2), no Joia da Princesa, em Feira de Santana. O Jacobina estreou com vitória por 2 a 1 sobre o Grapiúna. Kayke e Thierry marcaram para o "Jegue da Chapada", enquanto Veinho fez o gol do Aurinegro.

 

Também no sábado, o Feira Futebol Clube realizou sua primeira partida oficial na história. Na Arena Cajueiro, a equipe bateu o Vitória da Conquista por 3 a 0. Thiago Galhardo marcou duas vezes e William completou o placar.

 

JOGOS DO DOMINGO
No domingo (3), o SSA FC venceu o Leônico por 3 a 0, também na Arena Cajueiro. Samir abriu o caminho para o triunfo e Levine marcou os outros dois gols da equipe.

 

Os placares mais elásticos vieram na sequência. No Joia da Princesa, o Fluminense de Feira confirmou o favoritismo diante do Redenção e venceu por 5 a 0. Os gols do Touro do Sertão foram marcados por Zé Gatinha, Cássio (duas vezes), Nael e Tiago Recife.

 

O resultado mais expressivo da rodada, porém, ficou com o Barreiras. Atuando no Estádio Geraldo Pereira, o outro "caçula" da competição aplicou 9 a 0 sobre o Camaçari. Os gols foram marcados por Thiago Moura, Lucas, Dudu (contra), Sampaio (duas vezes), Gilmar, Felipe Araújo e Neto.

 

PRÓXIMOS JOGOS (2ª RODADA)

  • 09/05 (Sáb), 15h — SSA x Jacobina — Arena Cajueiro
  • 09/05 (Sáb), 15h — Grapiúna x Fluminense — Joia da Princesa
  • 09/05 (Sáb), 15h — Vitória da Conquista x Leônico — Waldomiro Borges
  • 10/05 (Dom), 15h — Redenção x Barreiras — Waldomiro Borges
  • 10/05 (Dom), 15h — Camaçari x Feira FC — Joia da Princesa

 

CLASSIFICAÇÃO
Após os resultados, o Barreiras assume a liderança pelo saldo de gols. O Fluminense de Feira aparece na segunda colocação, enquanto Feira FC e SSA FC fecham o G-4. Na parte de baixo, Redenção e Camaçari ocupam a lanterna com saldos de -5 e -9, respectivamente.

 


 

Lula é aconselhado a adiar indicação ao STF após derrota de Messias e reage com críticas nos bastidores
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido orientado por interlocutores a adiar o envio de um novo nome para o Supremo Tribunal Federal (STF), após a rejeição da indicação de Jorge Messias pelo Senado. A recomendação é aguardar a redução da tensão política antes de retomar o processo.

 

Segundo relatos de conversas ocorridas na última semana com ministros do Judiciário, Lula demonstrou irritação com a articulação que resultou na derrota de Messias. Na ocasião, o presidente chamou de “filhos da p.” os responsáveis pela movimentação contrária à indicação.

 

De acordo com as informações, Lula avalia que a articulação não partiu exclusivamente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e estende o descontentamento a outros atores políticos que, segundo ele, acompanharam o desfecho sem reação.

 

Entre os nomes citados no contexto está o atual ministro da Justiça, Wellington César, que assumiu o cargo em janeiro, em substituição a Ricardo Lewandowski. Ele teria sido alvo de críticas internas por uma atuação considerada discreta na defesa da indicação de Messias.