Secretaria nega uso de celular por Hytalo Santos em presídio; blogueiro está preso há 1 ano
Foto: Instagram

A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária da Paraíba (Seap-PB), emitiu um comunicado na última quinta-feira (3) para negar que o influenciador digital Hytalo Santos tenha utilizado um celular dentro da Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida como Presídio do Roger, em João Pessoa.

 

Os rumores passaram a circular nas redes sociais e ganhar força, gerando o pronunciamento da Seap. Hytalo está preso desde agosto de 2025 por exploração sexual de adolescentes.

 

“A Seap-PB esclarece que não procedem as informações divulgadas acerca do suposto uso de aparelho celular pelo apenado Hytalo dos Santos no interior da cela destinada à população LGBTQIA+ da Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida popularmente como Presídio do Roger, em João Pessoa.”

 

A secretaria ainda reforçou o protocolo de segurança do presídio, afirmando que a unidade realiza "rondas e procedimentos periódicos de revista, em conformidade com os protocolos de segurança estabelecidos, com o objetivo de prevenir e coibir a entrada e a utilização de aparelhos celulares e de outros materiais ilícitos no ambiente prisional."

 

No início de agosto, o caso de Hytalo ganhou um novo capítulo após a Justiça da Paraíba marcar uma data para o leilão dos veículos apreendidos do blogueiro.

 

Ao todo, cinco veículos de luxo foram leiloados no dia 31 de agosto, somando R$ 4,8 milhões. Os bens foram vendidos para garantir recursos para um eventual pagamento de indenização por dano moral coletivo.

 

Hytalo também foi condenado por assédio a ex-seguranças e teve uma indenização de R$ 60 mil por danos morais determinada pela Justiça.

 

Deputada federal denuncia empresário por estelionato e venda de emendas na Bahia; saiba detalhes
Foto: Divulgação / Reprodução Redes Sociais

A deputada federal Lídice da Mata (PSB) também denunciou o empresário e administrador Uryel Victor Lima de Santana na Polícia Civil por um crime relacionado a estelionato. Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, na manhã desta sexta-feira (4), com interlocutores, Uryel teria tentado vender emendas parlamentares da deputada baiana. 

 

Ele ainda teria pedido dinheiro aos amigos da ex-prefeita de Salvador como uma tentativa de “ajudá-la” e conseguir os recursos. De acordo com informações apuradas pelo site, a parlamentar chegou a prestar uma queixa-crime contra Uryel. 

 

Ele é acusado ainda de tentar aplicar golpes ao apresentar um suposto documento falso do Governo Federal à Prefeitura de Cipó, no Nordeste da Bahia, e solicitar pagamentos para que o município recebesse recursos provenientes da União.

 

A Polícia Civil revelou ao BN que investiga o caso envolvendo o administrador. A situação foi registrada como estelionato, no dia 16 de junho deste ano. A PC disse que “oitivas e outras diligências investigativas são realizadas para o esclarecimento do caso”.

 

O Bahia Notícias fez contato com Uryel, na tarde desta quinta-feira (3), mas não obteve nenhuma resposta. 

 

ENTENDA AS DENÚNCIAS

A situação envolvendo Uryel teria ocorrido quando o homem procurou a gestão municipal apresentando um suposto ofício que informava a destinação de recursos federais para a realização de obras de pavimentação asfáltica na cidade. Durante a negociação, segundo a prefeitura, ele teria solicitado o pagamento antecipado de 20% do valor, sob a justificativa de que a quantia seria necessária para “agilizar” a liberação dos recursos. O episódio, no entanto, levantou suspeitas e levou o município a procurar diretamente o Ministério das Cidades para verificar a autenticidade da documentação.

 

Conforme relato do prefeito de Cipó, Marquinhos (PSD), o órgão confirmou que o documento não era verdadeiro e que a suposta destinação de mais de R$ 7 milhões não existia. O caso motivou um alerta aos prefeitos e gestores públicos de toda a Bahia. 

 

A suposta atuação do homem utilizava diferentes formas. Ele teria utilizado de uma abordagem convincente para cooptar prefeitos, em municípios para os quais viajava presencialmente. Em uma cidade do interior baiano, ele teria desembarcado inclusive, utilizando um avião para entregar em mãos documentos com timbragens, que seriam adulteradas do Governo Federal. 

 

Para dar credibilidade na ação, o administrador alegava ter "conchavos" e trânsito livre nos bastidores de Brasília, em uma tentativa de pressionar os gestores a efetuarem pagamentos adiantados antes que a falsidade dos papéis fosse checada nos órgãos oficiais. 

 

A estratégia se baseava em criar uma falsa ilusão de burocracia concluída para cobrar valores ou vantagens antecipadas dos municípios sob o pretexto de viabilizar o repasse final dos recursos. 

 

A estrutura da ação seria realizada em três formas:

  • Uso de Documentação Adulterada: Criação de ofícios falsos atribuídos ao Ministério das Cidades para simular aportes financeiros;

  • Abordagem Direta: Contato com prefeitos (presencialmente ou por meio de intermediários) apresentando a falsa oportunidade de verbas;

  • Mediação com Ministério: Alegação de articulação política interna para passar ar de legitimidade às negociações;

  • Objetivo Financeiro: Tentativa de obter valores antecipadamente para suposta "liberação burocrática" do recurso.

Ao Bahia Notícias, o prefeito de Cipó confirmou o mecanismo utilizado por Uryel e deu detalhes a respeito do modus operandi que o homem utilizava no estado. Segundo ele, o suspeito utilizava documentos falsos, alegando serem do Ministério das Cidades, com a promessa de liberar recursos e verbas federais para os municípios. 

 

Ele procurava os gestores municipais utilizando contatos ou intermediários ("conchavo"). No entanto, em algumas cidades, a exemplo de Cipó, não conseguia liberar os valores. Segundo o administrador municipal, os órgãos federais confirmaram que os documentos eram falsificados, montados pelo próprio suspeito e não possuíam qualquer registro oficial.

 

“Ele começou desde o ano passado e ele vem insistindo. Depois que fiz as denúncias, ele não me ligou mais. No entanto, isso está sendo frequente. Ele forjou um documento dizendo que era do Ministério das Cidades disponibilizando recursos. Só que fui a Brasília e verifiquei com a equipe da pasta. Eles disseram que esse documento não tinha nada a ver com o ministério não, que seria dele [Uryel], ele que fez, não tinha nada a ver”, afirmou ao BN. 

 

O caso foi encaminhado para registro de Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil local. 

 

“Eu liguei para o delegado pra registrar o Boletim, mas ainda falta ir na delegacia para preencher lá os dados”, explicou. 

 O mesmo caso teria ocorrido também na cidade de Nova Soure, no Nordeste baiano. Ao site, o prefeito Alan de Cassinho (PSD) revelou que o contato inicial ocorreu entre três e quatro meses antes atrás. O gestor reforçou a versão e apontou que o empresário teria oferecido a intermediação para verbas do Ministério das Cidades, prometendo recursos para pavimentação asfáltica. Além disso, ele ainda teria ofertado outras demandas municipais em nome da pasta. 

 

Para viabilizar a suposta liberação dos recursos, o indivíduo exigiu o adiantamento de valores financeiros. O suspeito também encaminhou um ofício com teor semelhante ao enviado para Cipó para formalizar a proposta. Uma segunda pessoa, que alegava ser do Ministério das Cidades, também entrou em contato com o prefeito. 

 

Porém, o gestor desconfiou das propostas e não efetuou nenhum pagamento ou avanço nas negociações. Ele disse que aguardava o desfecho das tratativas de Cipó antes de tomar qualquer medida.

 

“Foi essa mesma pessoa. Ele chegou a enviar um ofício também na mesma situação da cidade de Cipó. Mas eu não avancei porque aguardava ver se a situação lá iria se desenvolver. Mas ele chegou a fazer outras propostas também, não só asfalto, mas outras demandas”, contou. 

 

“Foi algo para o Ministério das Cidades também. Até uma outra pessoa entrou em contato dizendo ser do Ministério das Cidade. Mas aí eu sou um pouco desconfiado, não avancei não". 


 

ANTT aprova edital para concessão de 653,3 km de BRs 324 e 116 na Bahia
BR-324 Feira-Salvador / Foto: Jefferson Araújo/Acorda Cidade

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou nesta quinta-feira (3) o edital da Rota 2 de Julho, projeto que prevê a concessão de 653,3 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-324, na Bahia. O contrato terá duração de 30 anos e prevê R$ 14,33 bilhões em investimentos, sendo R$ 10,52 bilhões nos primeiros oito anos.

 

Segundo a agência, o projeto abrange o trecho da BR-324 entre Salvador e Feira de Santana e da BR-116 entre Feira de Santana e a divisa da Bahia com Minas Gerais.

 

Entre as obras previstas estão 306,6 quilômetros de duplicação, 63,7 quilômetros de faixas adicionais em pista simples e 192 quilômetros em pista dupla, além de 35,9 quilômetros de vias marginais, 42 passarelas, 239 acessos e 328 pontos de ônibus.

 

BR-116, em Vitória da Conquista / Foto: Reprodução / Blog do Anderson

 

A concessão também prevê a implantação do sistema de pedágio eletrônico Free Flow, sem praças físicas. Serão instalados 12 pórticos de cobrança no primeiro ano, sendo dois na BR-324 e dez na BR-116. A cobrança deverá começar a partir do sexto mês de concessão, que poderá ser paga de forma automática por meio da identificação eletrônica do veículo ou de forma avulsa.

 

PEDÁGIO

O contrato também estabelece mecanismos de controle da arrecadação e regras para o compartilhamento do risco de evasão ou inadimplência. Conforme a ANTT, a tarifa básica estimada para o primeiro ano é de R$ 0,08396 por quilômetro. O valor terá três reajustes progressivos de 13%, 13% e 14,244% nos três primeiros anos, chegando a R$ 0,12248 por quilômetro a partir do quarto ano. A tarifa final, no entanto, dependerá do deságio oferecido pela empresa vencedora do leilão.

 

Ainda segundo a agência, a receita tarifária projetada para os 30 anos é de quase R$ 63,81 bilhões, enquanto as receitas acessórias estão estimadas em R$ 957,12 milhões. Os custos e despesas operacionais previstos somam R$ 6,70 bilhões.

 

A versão final do projeto foi revisada pela ANTT após a análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que aprovou o processo de desestatização em 26 de agosto, por meio do Acórdão nº 2.337/2026-TCU-Plenário.

 

LEILÃO

Antes previsto para novembro, o leilão da Rota 2 de Julho deve ocorrer no dia 18 de dezembro deste ano, às 10h, na B3, em São Paulo. A concessão integra a 5ª Etapa do Programa de Concessões de Rodovias Federais e inclui ações de ampliação de capacidade, operação, conservação, atendimento aos usuários e segurança nos 653,3 quilômetros do sistema. 

 

TSE mantém condenação de vereador de Camaçari por violência política de gênero
Foto: Antonio Augusto / TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, por maioria de votos, na sessão desta quinta-feira (3), a condenação do vereador de Camaçari, Dilson Vasconcelos Soares, por violência política de gênero contra a vereadora Angélica Bittencourt Teixeira.

 

A decisão foi ratificada após o voto-vista do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que validou a sentença do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).

 

O caso se baseia em incidentes ocorridos na Câmara Municipal de Camaçari. De acordo com a denúncia aceita pela Justiça Eleitoral, o vereador removeu a placa de identificação da parlamentar de seu assento no plenário, tentou obstruir sua permanência no local e realizou outras ações consideradas ofensivas ao exercício de seu mandato, incluindo assédio, constrangimento, humilhação e importunação sexual. Na época, Angélica era a única mulher com mandato na Casa Legislativa.

 

Durante o julgamento, a defesa argumentou que o incidente foi resultado de divergências políticas internas e não teve relação com a condição de gênero da vereadora. Os advogados contestaram a condenação por importunação sexual, alegando falta de fundamentação na decisão.

 

Os ministros, por unanimidade, rejeitaram os argumentos da defesa. No mérito, prevaleceu o voto parcialmente divergente do ministro Dias Toffoli, que defendeu a manutenção total do acórdão do TRE-BA. Assim, o recurso especial foi negado, mantendo a condenação do vereador a 4 anos, 8 meses e 15 dias de reclusão em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 100 dias-multa, calculados com base no valor de um salário mínimo vigente na época dos fatos.

 

A relatora, ministra Estela Aranha, e os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques ficaram vencidos em parte. A divergência estava principalmente relacionada à condenação pelo crime de importunação sexual e à dosimetria da pena. Floriano argumentou que não havia comprovação suficiente do elemento subjetivo necessário para caracterizar a importunação sexual, enquanto Toffoli considerou que as provas reunidas justificavam a manutenção integral da condenação.

 

Com a formação da maioria em torno da tese apresentada por Dias Toffoli, o ministro foi designado redator do acórdão. A decisão é vista como um importante precedente da Justiça Eleitoral no combate à violência política de gênero e na promoção da participação e permanência das mulheres em espaços de representação política.

 


 

Ex-BBB Davi Brito surpreende ao mostrar boi que será abatido para seu casamento: "Vai dar pra fazer churrasco"
Foto: Instagram

O ex-BBB Davi Brito surpreendeu ao compartilhar com os seguidores o cardápio de seu casamento. Isso porque, o campeão da 24ª edição do reality show da Globo decidiu mostrar o animal ainda vivo, em sua fazenda.

 

Por meio do Instagram, Brito exibiu um boi vivo e afirmou que além dele, dois porcos serão servidos no churrasco após o casório, que acontece neste sábado (5), em um espaço de festas de Salvador.

 

"Aqui tá o boi que a gente vai colocar pro meu casamento. O bicho tá gordinho. Vai ser um boi e dois porcos. Vai dar pra galera fazer churrasco", contou.

 

 

A festa, que será realizada em um salão no bairro Caminho das Árvores, é avaliada em R$ 2 milhões, segundo informações do próprio influenciador. De acordo com Davi, em entrevista ao portal LeoDias, a celebração será para 500 convidados.

 

Em agosto, o ex-BBB contou que precisou desconvidar algumas pessoas por questões de segurança.

 

"Infelizmente extrapolou o número de pessoas no casamento. Terei que tirar alguns convidados, algumas pessoas, não queria fazer isso, mas vou ter que fazer por conta de cerimônia, acomodação e recepção. Foram os bombeiros do local que falaram isso pra gente", explicou.

 

Operação Linha Sombria prende liderança criminosa e companheira em Feira de Santana
Foto: Divulgação / Polícia Civil da Bahia

A Polícia Civil da Bahia cumpriu sete mandados de prisão e 29 de busca e apreensão nesta sexta-feira (4), durante a Operação Linha Sombria, voltada ao combate ao tráfico de drogas em Feira de Santana. Entre os detidos está um homem de 39 anos, apontado como líder da organização criminosa, e sua companheira, de 20 anos, localizados no bairro SIM.

 

As investigações indicam que o grupo funcionava com uma estrutura de central de atendimento para o recebimento e distribuição de entorpecentes via delivery. A polícia aponta ainda que a organização possui ligações com uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro.

 

Foto: Reprodução / Polícia Civil

 

Na residência do casal, os policiais apreenderam duas armas de fogo (uma pistola e um revólver calibre 38), munições, carregadores, balança de precisão, máquinas de cartão e de contar dinheiro, além de R$ 2 mil em espécie, 11 celulares, notebooks e tablets. Veículos de alto valor, incluindo um carro avaliado em mais de R$ 400 mil e uma motocicleta, também foram confiscados.

 

Além do casal, outros cinco investigados foram presos temporariamente. As ordens de busca foram executadas nos bairros Mangabeira, Campo Limpo, Feira V, Gabriela, Sobradinho e Tomba, além de alvos no estado de São Paulo.

 

A operação foi coordenada pela 9ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE/Feira de Santana) com apoio do Denarc, Depin, Dirpin/Leste, Ficco e da 1ª Coorpin.

 

Entendendo a Previdência: Pensão por morte - erros que podem impedir o recebimento do benefício
Foto: Divulgação

A morte de um segurado do INSS não representa apenas uma perda emocional para a família. Em muitos casos, significa também a perda de uma importante fonte de renda.


É justamente para enfrentar esse risco social que existe a pensão por morte: um benefício previdenciário destinado aos dependentes do segurado falecido, aposentado ou não.


Mas um ponto merece atenção: ter um familiar que contribuía para o INSS não significa, automaticamente, que a pensão será concedida.


Existem requisitos legais, prazos e documentos que precisam ser observados. E alguns erros, muitas vezes cometidos ainda em vida pelo segurado ou no momento do requerimento pelos dependentes, podem dificultar ou até impedir o reconhecimento do direito.


Por isso, conhecer as regras e realizar um adequado planejamento previdenciário pode fazer toda a diferença.


1. Não verificar se o segurado mantinha a qualidade de segurado
Um dos primeiros pontos analisados pelo INSS é a situação previdenciária do falecido na data do óbito.


Em regra, a pensão por morte pressupõe que o falecido possuísse qualidade de segurado, estivesse recebendo benefício previdenciário ou tivesse direito adquirido a benefício.


É importante lembrar que a ausência de contribuição imediatamente antes do falecimento não significa necessariamente perda da proteção previdenciária.


A legislação estabelece o chamado período de graça, durante o qual determinadas pessoas continuam protegidas pelo INSS mesmo sem realizar contribuições. Dependendo da situação, esse período pode ser ampliado.


Esse é um dos motivos pelos quais simplesmente olhar a última contribuição registrada no CNIS pode não ser suficiente.


É necessário analisar todo o histórico previdenciário.


2. Deixar de comprovar corretamente quem é dependente
Outro erro frequente está relacionado à própria condição de dependente.


A legislação previdenciária estabelece uma ordem de preferência. Na primeira classe estão o cônjuge, o companheiro ou companheira e determinados filhos; em classes seguintes estão os pais e os irmãos que preencham os requisitos legais.


A dependência econômica é presumida para os dependentes da primeira classe, enquanto, para outras categorias, precisa ser comprovada.
Na prática, portanto, não basta afirmar que determinada pessoa vivia com o segurado ou recebia algum auxílio financeiro. É preciso verificar qual é o enquadramento jurídico e quais provas são necessárias.


3. Não guardar documentos que comprovem a união estável
Talvez um dos maiores problemas encontrados nos pedidos de pensão por morte seja a falta de documentação capaz de demonstrar a união estável.


É comum que casais convivam durante muitos anos sem formalizar a relação por meio de casamento ou escritura pública.


Isso, por si só, não elimina o direito à pensão. Entretanto, pode tornar a comprovação mais trabalhosa.


A legislação exige início de prova material contemporânea para a comprovação da união estável e, em determinadas situações, também da dependência econômica, não sendo admitida, como regra, a prova exclusivamente testemunhal. 


Por isso, documentos como comprovantes de residência, declaração de imposto de renda, inclusão como dependente em plano de saúde, documentos bancários, seguros, registros de filhos em comum e outros elementos que demonstrem a vida familiar podem assumir grande importância.


A prova da união estável não deve começar depois da morte. Ela deve ser construída durante a própria relação.


4. Não conferir o CNIS e o histórico contributivo
Outro erro bastante comum é acreditar que o cadastro do INSS está necessariamente correto.


O Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS — pode apresentar vínculos ausentes, remunerações incorretas, contribuições abaixo do salário mínimo, períodos sem reconhecimento ou outras inconsistências.


Quando o segurado está vivo, existe a possibilidade de identificar e corrigir essas informações com antecedência.


Depois do óbito, a família pode precisar reconstruir uma história previdenciária que deveria ter sido organizada anteriormente.


Por isso, planejamento previdenciário não deve ser visto apenas como uma ferramenta para descobrir quando alguém poderá se aposentar.
Ele também serve para verificar se a família está efetivamente protegida diante de eventos como incapacidade, morte e outros riscos sociais.


5. Perder prazo e atrasar o requerimento
Outro cuidado importante está relacionado à data do requerimento.


De acordo com o art. 74 da Lei nº 8.213/91, existem prazos específicos para que a pensão possa produzir efeitos financeiros desde a data do óbito. Para os demais dependentes, o prazo legal atualmente previsto é de 90 dias; para filhos menores de 16 anos, de 180 dias.

Ultrapassados esses prazos, em regra, o benefício passa a ser devido a partir do requerimento.


Isso demonstra que, diante do falecimento, a família não deve simplesmente aguardar para “organizar a documentação com calma”.


É recomendável analisar rapidamente a situação previdenciária e providenciar o requerimento dentro do prazo legal, sem prejuízo de posteriormente complementar a documentação quando necessário.


6. Imaginar que a pensão será sempre vitalícia
Outro equívoco bastante comum é acreditar que o cônjuge ou companheiro sempre receberá pensão por morte pelo resto da vida.


Não é assim.


A duração da pensão depende de diversos fatores, entre eles a idade do dependente, o tempo de casamento ou união estável e o número de contribuições do segurado, além de outras circunstâncias previstas na legislação.


Em determinadas situações, a pensão pode ter duração bastante reduzida.


Por isso, não basta perguntar: “Tenho direito à pensão?”


É preciso perguntar também: “Por quanto tempo a pensão será paga e qual será o seu valor?”


7. Não compreender o cálculo do benefício
A Reforma da Previdência, promovida pela Emenda Constitucional nº 103/2019, alterou significativamente o cálculo da pensão por morte.
Para os óbitos submetidos às regras posteriores à Reforma, a regra geral passou a considerar uma cota familiar de 50% do valor da aposentadoria recebida pelo segurado ou daquela a que teria direito, acrescida de 10 pontos percentuais por dependente, até o limite de 100%. Existem regras específicas para situações envolvendo dependente inválido ou com deficiência intelectual, mental ou grave.


Esse novo modelo pode representar uma redução importante da renda familiar.


Portanto, a análise do benefício não deve se limitar à concessão. É necessário conferir se o cálculo realizado pelo INSS está correto.


8. Acreditar que o problema pode ser resolvido somente depois do óbito
Esse talvez seja o maior erro de todos.


A Previdência Social deve ser pensada como uma forma de proteção para diferentes momentos da vida.


O INSS não protege apenas contra a velhice. A Previdência também oferece proteção diante de riscos como incapacidade, maternidade, reclusão e morte.


Por isso, o planejamento previdenciário precisa olhar para além da aposentadoria.


Uma pessoa pode estar preocupada em descobrir quando poderá se aposentar, mas deveria também perguntar: Se eu morrer amanhã, minha família estará protegida?


Essa pergunta é especialmente importante para quem possui filhos, cônjuge, companheiro ou outras pessoas que dependem economicamente de sua renda.


Planejamento previdenciário também é planejamento familiar


Quando se fala em planejamento previdenciário, muitas pessoas pensam imediatamente em idade, tempo de contribuição e valor da aposentadoria.


Mas planejar a Previdência é muito mais amplo.


É verificar se as contribuições estão corretas, se os vínculos estão registrados, se o segurado mantém a qualidade de segurado, quais benefícios podem ser acessados e, principalmente, qual será a proteção previdenciária da família diante de um evento inesperado.


A experiência demonstra que pequenos cuidados realizados durante a vida profissional podem evitar grandes dificuldades para os dependentes no futuro.


Manter o CNIS atualizado, conferir os vínculos, guardar documentos, formalizar situações familiares quando possível e conhecer as regras previdenciárias são medidas simples, mas extremamente relevantes.


9. Quais documentos devem ser guardados?
Não existe uma única lista de documentos válida para todos os casos, porque a documentação dependerá da situação familiar e previdenciária do segurado.


Entretanto, é recomendável preservar documentos relacionados a:

  • identificação do segurado e dos dependentes;
  • certidão de óbito;
  • certidão de casamento, quando houver;
  • documentos que comprovem união estável;
  • certidões de nascimento dos filhos;
  • documentos que demonstrem dependência econômica, quando necessária;
  • Carteira de Trabalho;
  • CNIS e documentos relativos aos vínculos empregatícios;
  • carnês e comprovantes de contribuições ao INSS;
  • documentos referentes à atividade rural, quando for o caso;
  • documentos de benefícios previdenciários recebidos;
  • declarações de Imposto de Renda;
  • documentos de plano de saúde, seguros e outras situações que possam demonstrar a relação familiar.

 

O próprio INSS informa que podem ser solicitados documentos pessoais do segurado e dos dependentes, certidão de óbito, documentos relativos às relações previdenciárias e provas da qualidade de dependente.


10. A prevenção pode evitar uma disputa futura
A pensão por morte não deveria ser lembrada somente quando acontece uma tragédia.


A melhor hora para verificar se a família está protegida é antes de surgir o problema.


Uma análise previdenciária adequada pode identificar inconsistências no CNIS, ausência de contribuições, perda ou risco de perda da qualidade de segurado, problemas na documentação familiar e outras situações que podem comprometer a proteção previdenciária.


A pensão por morte é um dos instrumentos mais importantes de proteção social oferecidos pela Previdência brasileira. Mas seu recebimento depende do cumprimento de requisitos legais e da adequada comprovação da situação previdenciária e familiar.


Não verificar a qualidade de segurado, não manter documentos organizados, não comprovar adequadamente a união estável, desconhecer os prazos, confiar cegamente nas informações do CNIS ou não conferir o cálculo do benefício são erros que podem trazer consequências significativas para a família.


E existe uma lição que merece ser destacada: Planejamento previdenciário não é apenas saber quando você poderá se aposentar. É saber se você e sua família estarão protegidos quando mais precisarem.


A Previdência deve ser planejada em vida. Porque, quando o risco acontece, muitas vezes já não existe tempo para corrigir aquilo que poderia ter sido organizado antes.


Fique atento e sempre busque ajuda especializada de um advogado, para que este possa analisar e esclarecer seus direitos.  

 

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Procuradores veem PGR exposta com menções a Gonet em diálogos de Vorcaro
Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil

Integrantes da cúpula da PGR (Procuradoria-Geral da República) avaliam que as citações de Paulo Gonet nas novas mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, expõem a instituição em uma situação grave e inédita, mas avaliam que não existe até o momento nada capaz de torná-lo alvo de investigação.
 

Há um desconforto generalizado com o episódio, tanto entre aqueles que preferiam vê-lo afastado do comando do caso como entre procuradores que o apoiam e não veem problema no que foi divulgado até aqui. Os dois grupos entendem que, de qualquer forma, pode haver prejuízo coletivo à reputação da categoria.
 

Na investigação, há diálogos em que o advogado Ciro Soares encaminha ao ex-dono do Banco Master mensagens atribuídas a Gonet. Em outros trechos, Vorcaro pede ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que acione o procurador-geral e o chefe da Polícia Federal para barrar uma operação contra a instituição financeira.
 

Além disso, o filho do procurador-geral teria pedido ao banqueiro para ir a um evento custeado por ele em Londres, com despesas pagas.
 

Procurado pela Folha na quarta-feira (2) e quinta (3), o PGR não se manifestou.
 

Em conversas com sua equipe nos últimos dias, Gonet negou ter relação próxima com Vorcaro e disse que Moraes jamais pediu interferência em investigações sobre o Master. Integrantes do órgão que trabalham diretamente com o procurador-geral afirmam ainda que Gonet conhecia o advogado Ciro Soares e o tratava de forma amigável por ser seu estilo.
 

Nos bastidores, integrantes do órgão passaram a conversar sobre a possibilidade ou a necessidade de o CSMPF (Conselho Superior do Ministério Público Federal) debater o tema. Cabe a essa instância avaliar as condutas dos ocupantes dos postos mais altos da Procuradoria.
 

O CSMPF é responsável por promoções na carreira, processos administrativos e aprova normas, critérios de atuação e a proposta orçamentária da instituição.
 

Pessoas próximas defendem que o chefe do Ministério Público Federal foi envolvido em uma crise que não é dele, sem indícios de má conduta.
 

Uma ala da Procuradoria, no entanto, avalia que há menções suficientes no relatório da PF para gerar dúvidas e, portanto, o melhor seria Gonet se afastar do processo. A medida seria um sinal de prudência à classe, além de prevenir alegações de conflitos de interesses que contaminassem o andamento da apuração.
 

Segundo a visão mais preocupada, presente também em outros níveis da carreira, ocupar um cargo estratégico, como o de PGR, exige ainda mais cuidado, especialmente em casos rumorosos.
 

Assim, mesmo que os elementos colhidos até o momento não representem, por fim, mácula real, a recomendação seria encurtar o espaço para questionamentos, sobretudo diante de uma situação complexa e nova, com o envolvimento de um ministro do STF, Alexandre de Moraes.
 

De acordo com esses interlocutores, ainda, o próprio Supremo, no entanto, flexibilizou a aplicação das regras de suspeição e impedimento ao longo dos últimos anos.
 

Eventual avaliação de responsabilização funcional ou disciplinar de altos cargos se dá por meio de análise do Senado de crime de responsabilidade. O PGR não se sujeita ao Conselho Superior, assim como ministros do STF não se sujeitam ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
 

Hoje, o vice-presidente do CSMPF é Nicolau Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino. Caberia a ele chamar uma sessão colegiada caso entendesse necessário tratar do tema com os pares.
 

Pela avaliação em sentido oposto, Gonet participaria do evento em Londres custeado pelo então banqueiro com centenas de outras pessoas —da mesma forma que da degustação de uísque. Nada disso denotaria intimidade e, assim, não haveria qualquer comprometimento da atuação do PGR à frente do caso.
 

Na mesma lógica, eventos custeados por empresários ou entidades privadas contam com a presença de autoridades públicas com frequência e isso não geraria implicação da atuação profissional.
 

Um interlocutor do chefe do Ministério Público afirma que ele não tinha o número de celular de Vorcaro registrado no próprio aparelho e hipóteses de suspeição só existem em casos de relações próximas com envolvidos em processos.
 

Além do pedido do filho de Gonet a Vorcaro, o relatório da PF tem mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor que a PF suspeita ser Moraes a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e a Gonet.
 

A interlocução de Gonet com Vorcaro aconteceu por meio do advogado Ciro Soares, inicialmente em abril de 2024. Na ocasião, aponta a PF, o advogado escreveu a Vorcaro "Amizade é tudo viu irmão", e complementou: "Gonet é firme".