Após as derrotas frente a Palmeiras e Remo, e o empate frente ao Santos, o Bahia busca voltar a vencer em casa e levantar a moral com o seu torcedor. Para isso, a equipe encara o Cruzeiro, na noite deste sábado (9), às 21h, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em partida válida pela 15ª rodada do Brasileirão 2026.
Para o duelo, o técnico Rogério Ceni não poderá contar com três jogadores. O goleiro Ronaldo e o volante Caio Alexandre ficam de fora para dar sequência ao tratamento das respectivas lesões. Ruan Pablo, que já está realizando transição, também fica de fora.
Com 22 pontos conquistados em treze jogos, o Esquadrão busca seguir somando pontos na briga por uma vaga direta em competição internacional.
Pensando no rival, o Tricolor trabalhou, durante a semana, defesa, tática, finalização e posse de bola, para encarar o clube mineiro.
Entrevistado da semana na Cidade Tricolor, o atacante Erick Pulga ressaltou a confiança do grupo no trabalho realizado diariamente no CT Evaristo de Macedo.
“Nossa cabeça está firme, focada no nosso trabalho, porque é isso que vai fazer a diferença. Os triunfos vão voltar naturalmente.”
Após o duelo frente à Raposa, o Bahia encara Remo, Grêmio, Coritiba e Botafogo, antes da pausa para a disputa da Copa do Mundo.
CRUZEIRO Em 15º lugar com 16 pontos conquistados em 14 jogos, o Cruzeiro busca se recuperar na tabela do Brasileirão. Para isso, a equipe terá de superar alguns problemas para buscar a vitória frente ao Bahia na Fonte Nova.
Entre eles, há uma indecisão na lateral-esquerda. Kaiki e Kauã Prates estão fora por suspensão e lesão, respectivamente. Arroyo, que também foi expulso diante do Atlético-MG, é outro que fica fora. Villalba e Jonathan Jesus são as principais opções na lateral, enquanto Wanderson e Neyser Villarreal são as alternativas no ataque.
O Cruzeiro entra em campo buscando recuperação no Brasileirão, após perder para o Atlético-MG, no Mineirão. Com 16 pontos, a equipe só tem um a mais que o Corinthians, que abre a zona de rebaixamento.
FICHA TÉCNICA Bahia x Cruzeiro Campeonato Brasileiro - 15ª rodada Local: Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador Data: 09/05/2026 (Sábado) Horário: 21h Árbitro principal: Rodrigo José Pereira de Lima (PE) Assistentes: Brígida Cirilo Ferreira (AL) e Bruno César Chaves (PE) VAR: Antônio Magno Lima Cordeiro (CE) Onde assistir: Premiere (Pay-per-view) e SporTV (Canal fechado)
Bahia: Léo Vieira; Acevedo, David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba; Erick, Jean Lucas e Everton Ribeiro; Erick Pulga, Kike Olivera e William José. Técnico: Rogério Ceni.
Cruzeiro: Otávio; Fagner, Fabrício Bruno, Jonathan e Kauã Moraes (Villalba); Lucas Romero, Gerson e Matheus Pereira; Christian, Wanderson (Neyser) e Kaio Jorge. Técnico: Arthur Jorge.
Embalado após a goleada sobre o Coritiba pelo Brasileirão e da classificação diante do Ceará na última quarta-feira (6), pela Copa do Nordeste, o Vitória volta a campo neste sábado (9), às 18h, para encarar o Fluminense, no Maracanã, pela 15ª rodada da Série A.
Com um jogo a menos, o Leão ocupa a nona colocação, com 18 pontos conquistados em 13 partidas. O adversário carioca aparece em terceiro lugar, com 26 pontos. Fora de casa a campanha rubro-negra preocupa: são dois empates e quatro derrotas, desempenho melhor apenas que a lanterna Chapecoense.
Em busca da primeira vitória como visitante no campeonato, o técnico Jair Ventura não terá o meia Matheuzinho, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, e o atacante Erick, que cumpre punição imposta pelo STJD. A lista de desfalques aumentou no último treino antes da viagem ao Rio de Janeiro após o zagueiro sentir um desconforto muscular e ser poupado.
Para a vaga de Matheuzinho, Diego Tarzia e Ronald aparecem como os principais candidatos, enquanto Marinho deve assumir o lugar de Erick. Já na defesa, Edenilson e Neris disputam a posição deixada por Cacá.
No departamento médico seguem fora os zagueiros Edu, Camutanga e Ricielli, o lateral-direito Mateus Silva, além de Dudu, Rúben Ismael e Pedro Henrique. O lateral direito Claudinho, que voltou a treinar com o grupo na última semana, também não foi relacionado.
Depois do compromisso contra o Fluminense, o Vitória volta as atenções para o confronto decisivo diante do Flamengo, na quinta-feira (14), às 21h30, no Barradão, pelo jogo de volta da quinta fase da Copa do Brasil. Na ida, o time carioca venceu por 2 a 1.
Na sequência, o Leão retorna ao Brasileirão no domingo (17), quando enfrenta o RB Bragantino, às 18h30, em Bragança Paulista.
Arte: Bahia Notícias
FLUMINENSE
Após empatar por 1 a 1 com o Independiente Rivadavia, na Argentina, na última quarta-feira, o Fluminense chegou ao terceiro jogo seguido sem vitória, acumulando derrotas para o Internacional no Brasileirão e o Bolívar na Libertadores.
O time do técnico Luís Zubeldia, terceiro colocado da Série A com 26 pontos em 14 jogos, não terá o zagueiro Jemmes, suspenso pelo terceiro cartão, que será substituído por Ignácio ou Millán. No meio-campo, o Flu conta com o retorno de Facundo Bernal, que estava suspenso da partida contra o Independiente Rivadavia.
Recuperado de uma lesão no joelho, Lucho Acosta pode começar a partida no banco de reservas para evitar desgaste físico. Com isso, John Kennedy tende a retomar a vaga no setor ofensivo.
FICHA TÉCNICA
Fluminense x Vitória Campeonato Brasileiro - 15ª rodada Local: Maracanã, no Rio de Janeiro Data: 9/5/2026 (sábado) Horário: 18h Árbitro: Bráulio da Silva Machado (SC) Assistentes: Thiago Americano Labes (SC) e Alex dos Santos (SC) VAR: Rodrigo D´Alonso Ferreira (SC) Onde assistir: SporTV (TV fechada) e pelo Premiere (Pay-per-view)
Fluminense: Fábio; Samuel Xavier, Millán, Freytes e Renê; Facundo Bernal, Hércules e Savarino; Serna, Canobbio e Castillo. Técnico: Luis Zubeldía.
Vitória: Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Edenilson (Neris), Luan Cândido e Ramon (Jamerson); Baralhas, Martínez, Zé Vitor e Diego Tarzia (Ronald), Marinho e Renato Kayzer (Renê). Técnico: Jair Ventura.
A definição das cidades-sede e dos horários da Copa do Mundo de 2026 colocou em evidência um fator que pode ser decisivo para o desempenho das seleções: a combinação entre logística e condições climáticas ao longo do torneio disputado em Estados Unidos, México e Canadá.
Além da qualidade técnica das equipes, a edição de 2026 tende a ser marcada por desafios extracampo. A distância continental entre as sedes, somada às diferenças bruscas de temperatura, umidade, altitude e fuso horário, pode interferir diretamente em recuperação muscular, desgaste físico, intensidade das partidas e preparação das delegações.
A Seleção Brasileira aparece entre as equipes que terão uma logística considerada relativamente confortável na fase de grupos. Na primeira fase, o Brasil jogará em Nova York/Nova Jersey, Filadélfia e Miami, permanecendo integralmente na costa leste norte-americana.
A estreia será no MetLife Stadium, em Nova Jersey, diante do Marrocos, num sábado, 13 de junho, às 19h (horário de Brasília). Depois, a seleção enfrenta o Haiti, na Filadélfia, no dia 19, uma sexta-feira, às 21h30. A Seleção encerra a primeira fase em Miami, contra a Escócia, dia 24, uma quarta-feira, às 19h.
A proximidade geográfica entre Nova Jersey e Filadélfia reduz o impacto de deslocamentos longos e minimiza desgaste de viagem. Além disso, o Brasil evita jogos em altitude mexicana, considerada uma das condições mais exigentes fisicamente do torneio.
Por outro lado, Miami surge como ponto de atenção. O verão no sul dos Estados Unidos costuma registrar calor intenso, elevada umidade e tempestades frequentes, fatores que podem alterar preparação e até o andamento das partidas.
As questões climáticas nos Estados Unidos passaram a gerar preocupação ainda maior após episódios registrados durante a disputa da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025. Em diferentes cidades-sede, partidas sofreram atrasos, interrupções temporárias, antecipações e ajustes operacionais por causa de tempestades elétricas, alertas meteorológicos e condições severas de clima.
Em alguns casos, protocolos de segurança obrigaram a paralisação parcial de jogos devido à incidência de raios nas proximidades dos estádios. O calor extremo também virou preocupação recorrente durante a competição, especialmente em cidades do sul e do leste norte-americano, onde a sensação térmica elevada aumentou o desgaste dos atletas e exigiu monitoramento constante das condições físicas das equipes.
Esse cenário amplia o debate sobre a Copa de 2026. Com jogos distribuídos em diferentes zonas climáticas da América do Norte, seleções que conseguirem manter estabilidade geográfica e menor exposição a extremos meteorológicos podem ganhar vantagem importante ao longo da competição.
Entre as equipes mais beneficiadas aparece a seleção mexicana. O México disputará seus jogos em Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, permanecendo totalmente dentro do território mexicano.
Além da familiaridade com clima e altitude, os mexicanos terão deslocamentos reduzidos e ambiente amplamente favorável nas arquibancadas. A adaptação natural às condições de altitude da Cidade do México aparece como uma das principais vantagens competitivas da seleção anfitriã.
A Seleção dos Estados Unidos também desponta entre as seleções favorecidas. Os norte-americanos jogarão principalmente em Los Angeles e Seattle, permanecendo concentrados na costa oeste do país.
A distribuição regional evita travessias continentais e reduz impactos relacionados a fusos horários e desgaste aéreo. Outro ponto positivo é o clima relativamente mais ameno da costa oeste em comparação com regiões mais quentes e úmidas do sul dos Estados Unidos.
A seleção canadense também terá cenário considerado favorável. O Canadá atuará em Toronto e Vancouver durante a fase de grupos.
As cidades canadenses apresentam temperaturas mais moderadas e menor incidência de calor extremo durante o período da competição, condição que pode favorecer recuperação física e intensidade de jogo.
Outro caso visto como positivo é o da seleção belga. A Bélgica terá partidas concentradas em regiões de clima mais ameno e menos sujeitas a temperaturas extremas. A avaliação logística indica menor desgaste ambiental em comparação com outras potências europeias.
Além disso, os belgas aparecem em um grupo considerado mais equilibrado tecnicamente, sem a mesma exigência física observada em outras chaves mais pesadas do torneio. A combinação entre condições climáticas menos agressivas e adversários teoricamente menos desgastantes pode permitir maior controle físico ao longo da primeira fase.
O cenário da seleção francesa é visto de forma diferente. A França terá jogos em regiões mais quentes e enfrentará uma sequência considerada fisicamente exigente diante de seleções como Senegal e Noruega.
A combinação entre calor, deslocamentos longos e partidas de alta intensidade pode aumentar significativamente o desgaste francês durante a fase de grupos. Em torneios curtos, o acúmulo de viagens e mudanças climáticas costuma impactar diretamente recuperação muscular, risco de lesão e rendimento competitivo.
A seleção argentina também deve enfrentar uma trajetória mais desgastante. A previsão é de deslocamentos mais extensos entre sedes e maior exposição a mudanças climáticas ao longo da competição.
Já a seleção inglesa aparece como uma das equipes europeias mais suscetíveis ao impacto térmico do verão norte-americano. Em determinadas regiões dos Estados Unidos, especialmente no sul e na costa leste, a combinação entre calor e umidade eleva consideravelmente a sensação térmica, afetando recuperação física e intensidade de jogo.
A Copa do Mundo de 2026 tende a transformar fatores extracampo em elementos ainda mais decisivos do que em edições anteriores. Em um torneio espalhado por três países, 16 cidades e diferentes zonas climáticas, logística, clima e adaptação física podem representar vantagem competitiva tão importante quanto o desempenho técnico dentro de campo.
Após 45 anos de carreira, a pergunta que se faz a um artista de longa estrada é: ainda tem algo que você gostaria de fazer? Para quem é inventivo como Lazzo Matumbi, que segue em plena forma aos 69 anos dominando os palcos, um desejo antigo ainda falta se materializar.
O artista, uma das vozes mais marcantes da música afro-baiana, que só em 2026 já se apresentou em diversos formatos para o público, o último deles sendo o projeto "Lazzo Junino", com clássicos do forró, revelou em entrevista ao Bahia Notícias que tem o desejo de dar voz a um projeto que foi "vetado" ainda no início da carreira.
Reconhecido por reforçar a importância da ancestralidade em suas canções, está nos planos de Matumbi presentear o público com um álbum de samba, estilo musical que voltou a estar entre os ritmos mais consumidos no Brasil de forma mainstream.
Foto: Instagram
Porém, diferente do samba comercial, a ideia do artista é voltar às raízes e fazer o samba que, antigamente, era visto com maus olhos.
"Eu comecei no samba. Mas aí, em um determinado momento, eu saí do samba por conta da forma que a sociedade, digamos assim, o show business olhava para o samba. [Era] de uma forma muito discriminatória, muito racista, muito preconceituosa."
Com a maturidade adquirida na carreira, Lazzo conta que percebeu que o preconceito do mercado era justamente com a essência do estilo, que valorizava o que vinha do povo preto — algo que, com muita luta, conseguiu ter um espaço, ainda que não seja o ideal.
"Quando eu mergulhei nisso, eu entendi que esse preconceito era 'simples', é um preconceito contra África e as tuas histórias, a tua cultura. Graças a Deus que hoje, nos dias de hoje, o samba chegou num patamar que todos abraçaram, inclusive pessoas que não estão muito ligadas à questão cultural, mas abraçam o samba. Então assim, ainda bem que o samba chegou nesse patamar super maravilhoso, mas eu fico devendo para mim mesmo a uma hora dessa fazer um disco só de samba. Isso é uma promessa para mim."
Ao final de maio, Lazzo apresenta ao público soteropolitano mais uma edição do projeto "Lazzo canta Melodia", já conhecido e ovacionado, com uma sessão especial no Teatro Sesc Casa do Comércio.
Em julho, o artista volta ao palco com o show "Matumbi canta a Bahia", com direção artística de Manno Góes e direção musical de Ubiratan Marques. O projeto, que será transformado em um audiovisual, trará em seu repertório um pouco do sonhado samba que o artista quis fazer no início da carreira, mas com um toque da nova geração.
A proposta é construir uma narrativa musical que evidencia a força e a diversidade da cultura da Bahia, sob a interpretação singular de Lazzo, acompanhado de nomes como Pitty, Larissa Luz, IZA, Liniker e BaianaSystem.
"Eu sou eterno aprendiz. Então assim, poder trocar com a galera mais jovem é puro aprendizado. Eu vejo hoje, essa minha troca com a juventude tem a ver exatamente com isso, as pessoas reverenciam o que veio antes, e eu sinto que eu ensino e aprendo com eles. É uma troca super sadia, super valiosa que para mim é só aprendizado. Eu quero estar colado com eles."
Os ingressos para os dois shows estão sendo vendidos no Sympla. O "Lazzo canta Melodia" acontecerá no dia 30 de maio, às 20h, no Teatro Sesc Casa do Comércio e os ingressos custam a partir de R$ 40. Enquanto o "Matumbi canta a Bahia" será apresentado no dia 24 de julho na Concha Acústica do TCA, a partir das 18h30, e os ingressos custam a partir de R$ 70.
Uma concorrência pública vai contratar uma empresa especializada em castração e eutanásia de cães em Maracás, no Vale do Jiquiriçá. O pregão eletrônico está previsto para ocorrer no dia 25 de maio, conforme informações desta sexta-dfeira (8) do Diário Oficial da União.
O tratamento de animais virou polêmica na cidade após um vereador sugerir eutanásia durante uma sessão da Câmara Municipal.
Ao discutir a situação de cachorros abandonados, Helgênio Meira (PSD) defendeu a criação de um centro de zoonoses, mas afirmou que, diante dos custos envolvidos, seria necessário adotar a eutanásia como alternativa para reduzir a população de animais.
Depois, o mesmo vereador se desculpou pela fala e a classificou como inadequada. “Palavras têm peso e eu assumo total responsabilidade pelas minhas. Peço perdão a todos que lutam pela causa animal. Meu objetivo agora é transformar esse erro em uma oportunidade para entender melhor as soluções éticas e humanas para o abandono!”, afirmou.
Depois, foi a vez do prefeito de Maracás, Nelson Portela (PT), também criticar a fala do legislador. Portela disse tambpem que em um ano e quatro meses, buscava resolver os problemas, o que incluía um pedido de um castramóvel através da secretaria de agricultura do estado pelo Consórcio do Vale do Jiquiriçá.
Com quase 9 mil habitantes, São Tomé de Paripe é um pequeno pedaço de área verde no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Conhecida pelas belezas naturais da Baía de Todos os Santos, a praia de São Tomé é o centro da vida social e econômica do bairro: fonte de lazer, trabalho e até locomoção. Acontece que, desde fevereiro deste ano, a normalidade da vida litorânea deu lugar a uma preocupação crescente após a identificação de uma contaminação por metais pesados na praia.
Desde então, moradores e ambientalistas buscam respostas para as causas e soluções para o problema que limitou o acesso da comunidade a uma de suas “forças vitais”. Na série de reportagens “Águas de São Tomé”, o Bahia Notícias relembra o histórico deste acidente ambiental que impactou a vida e sociabilidade da comunidade de São Tomé de Paripe e expôs fragilidades na gestão ambiental na Baía de Todos os Santos.
Foto: Alana Dias / Bahia Notícias
Em entrevista realizada nesta quinta-feira (7), o Bahia Notícias conversou com Jocival David e Joilda Borges dos Santos, representantes da comunidade que hoje se articulam com os órgãos públicos na tentativa de encontrar soluções e promover um acordo para a reestruturação ambiental do bairro. Jocival, de 48 anos, narra que é nascido e criado no bairro e, apesar de não depender financeiramente do mar, se envolveu na mobilização para manter a tradição do local.
“Como eu trabalho, tenho o meu emprego, não tenho muita coisa a ter direito, só tenho o direito de brigar pela minha comunidade”, afirma. Ele conta que realiza “vistorias” independentes todos os dias na praia, fotografando os pontos de contaminação, a morte dos animais e possíveis movimentações no Terminal.
Por outro lado, Joilda, de 48 anos, tem o mar como parte do sustento. Permissionária e dona de uma barraca de praia, ela conta que ainda emprega outros três funcionários no local. “Por trás de uma barraca já existem mais três ou quatro famílias sem trabalho e geralmente eles me ligam: minha cozinheira, meus garçons, a auxiliar. ‘E aí, Jo, quando é que a gente volta a trabalhar?’ e eu digo ‘Não sei, não sei’”, conta.
Ela completa ainda dizendo que “é complicado a gente estar aqui nessa situação de desemprego porque a gente vive disso. A gente até está pensando em colocar um cachorro-quente na praia, mas vender a quem? Se o nosso bairro agora é um bairro que é um cemitério, é um bairro fantasma”, destaca.
O eletrotécnico narra que a luta dos moradores começou ainda durante o Carnaval, período de alta estação em Salvador, quando a praia da região tende a atrair soteropolitanos e turistas que desejam explorar o Subúrbio ou até viajar para a Ilha de Maré.
“No finalzinho ou meados de fevereiro, nós descobrimos esse problema na faixa de areia, ali no período do carnaval, e num passo de brincadeira a gente viu a coloração da água azul, do outro lado amarela, do outro lado verde, então resolvemos investigar o que era. Então, de acordo com o grande odor de amônia, aí a gente viu que era uma coisa bem mais grave. Aí foi que nós procuramos os órgãos ambientais”, destacou Jocival.
Por meio das redes sociais, apoio de figuras públicas e manifestações pacíficas na comunidade, os moradores de São Tomé de Paripe chamaram a atenção da mídia e de parte dos órgãos públicos acerca do tema.
Manifestação de moradores, com a presença da Polícia Militar, em frente a Intermarítima em São Tomé de Paripe. Foto: Arquivo pessoal da comunidade
“O Ministério Público já tem praticamente 70 dias caminhando junto com a comunidade de São Tomé de Paripe”, afirma Jocival. Ele detalha que “quando acionamos o Ministério Público, nós registramos alguns boletins de ocorrência na Polícia Civil, na Polícia Federal, aí também o Ministério Público Federal entrou no caso, porque viu a gravidade do acontecido”.
Desde então, explica o representante do bairro, “o Ministério Público se comprometeu de que teria uma solução para o nosso bairro”. Quem acompanha o caso é a promotora de Justiça Hortênsia Gomes Pinho, da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Habitação e Urbanismo da Capital. Com parte do trâmite do caso em esfera cível, o Ministério Público realiza, semanalmente, reuniões de situação para o monitoramento e a gestão do andamento de processos. Na reunião desta quarta-feira (6), estiveram presentes representantes da comunidade local, do Inema e das empresas envolvidas.
“Já fizemos a primeira reunião de mediação, ali no Ministério Público do Centro Administrativo [sede do Ministério Público no CAB], e depois as nossas reuniões passaram a ser na sede do Ministério Público em Nazaré, onde a doutora Hortênsia tem sido bastante sensitiva nas suas pronúncias, nas suas palavras, no objetivo, naquilo que a comunidade quer”, destacou o morador.
Segundo Jocival, o objetivo do grupo é garantir que as atividades da empresa Intermarítima no local não voltem a ocorrer. Desde março, o Terminal Itapuã, como é conhecida a unidade, foi interditado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) em meio às investigações relacionadas à contaminação.
Em entrevista ao Bahia Notícias, a promotora Hortênsia destacou que o objetivo do MP-BA é garantir a suspensão da licença ambiental do Terminal como um todo, além de estabelecer um acordo de responsabilização entre as partes, que garanta um ressarcimento de um salário mínimo (atualmente fixado no valor de R$ R$ 1.621) por seis meses a cada uma das 800 famílias afetadas pela contaminação.
“A gente espera que aconteça, é que essa empresa não funcione mais. O nosso bairro não foi preparado para receber grandes cargas de fertilizante. Para quem não conhece, são 4 a 5 navios por mês de grande porte, são em torno de 500 carretas subindo e descendo diariamente aqui no nosso bairro, vocês vieram e viram que as nossas vias são todas apertadas, não tem estrutura para isso, e o Ministério Público está mediando isso”, narra Jocival.
Para Joilda, uma das maiores dificuldades desse processo, que já se arrasta há quase três meses, é a falta de acolhimento de parte das autoridades.
“A Secretaria do Mar, quando a gente foi pedir um apoio e que viesse ver a situação que a gente estava vivendo aqui, o que a gente ouviu lá foi: ‘e lá vocês não têm um restaurante popular, onde vocês possam comer?’, porque a gente já estava em uma situação aqui precária, sem trabalhar muitos dias, pais e mães de família pescadores, marisqueiros e barraqueiros permissionários, sem poder trabalhar. E a gente foi buscar um auxílio para poder ver se eles iam ter como ajudar a gente e o que a gente ouviu lá foi muito triste”, narra a moradora do bairro.
Após o ocorrido, em abril, as secretarias de Promoção Social (Sempre) e do Mar (Semar), ambas vinculadas à Prefeitura de Salvador, realizaram o cadastro e entrega de cestas básicas a cerca de 600 famílias em São Tomé. O que a permissionária ressalta, no entanto, é que “a gente não quer um restaurante popular, a gente quer nossa dignidade. A gente quer nossa praia limpa, a gente quer trabalhar e o que a gente precisa agora é que a empresa repare o dano que eles fizeram na nossa água, que eles tirem a contaminação deles daqui e saiam daqui”, explica.
IMPACTOS ‘ALÉM-MAR’ Apesar da revelação deste episódio de contaminação, o que os moradores de São Tomé de Paripe revelaram ao Bahia Notícias é que os impactos ambientais das operações no Terminal local não são novidade e muito menos se resumem ao mar.
Foto: Alana Dias / Bahia Notícias
O eletrotécnico Jocival David, que vem atuando ativamente na campanha contra o funcionamento do espaço, relata que o problema da própria contaminação de materiais na praia não é novidade. “Quando chove e a correnteza vem com maior força, todo esse produto tanto da lavagem da pista dele [do Terminal], quanto das águas que vazam do pátio cai para o mar e mata muito animal marinho mesmo. Já aconteceu antes, já foi pauta no Ministério Público, já foi denunciado para o Ministério Público Federal em 2018, 2022, 2024, não é a primeira vez”.
David explica que, como vizinho próximo do terminal, a poluição do ar e a poluição sonora provocada pela atuação das empresas operadoras do Terminal no bairro também são motivo de briga há anos. “Eu venho brigando com a Intermarítima desde 2022 por ser um dos vizinhos mais próximos. E em suas operações, alguns dos seus produtos exalam poeira, a poluição é uma ação muito forte que toma todo o bairro praticamente”, afirma.
Segundo ele, as operações causam “uma nuvem de poeira muito, muito forte mesmo, dependendo do horário, quando eles precisam produzir, eles levantam os seus transportadores e o vento joga [a poeira] para a parte do bairro, toda essa poluição. E é uma briga, como eu já falei. Se agravou agora, decorrente desse produto vazar na praia, foi aí que as coisas complicaram mais para o lado da empresa, mas eles conhecem a operação deles, não é necessário a gente estar aqui falando muita coisa, porque é prejudicial à comunidade, é prejudicial ao bairro”, relata o morador.
NOVO NORMAL Há cerca de dois meses vivendo em uma realidade onde a praia deixa de ser um “porto seguro”, os moradores de São Tomé relatam a dificuldade em se adaptar ao “novo normal” provocado pela interdição da praia.
Um deles é Clenio Dias, de 63 anos. Conhecido na comunidade como um dos pescadores mais antigos da região, ele relata que o trabalho ficou “mais distante”. “Eu sou pescador que sempre pescava por aqui por perto. Bom, a desconfiança do pessoal, claro que eu não vou pescar por aqui por causa da contaminação. E eu tenho que pescar em uma área mais distante, lá para o lado da Ponta de Nossa Senhora e Paramana. Eu pesco lá próximo à Ilha de Itaparica, a Boca da Barra e, mesmo assim, eu estou sendo prejudicado, porque ninguém está querendo comprar, todo mundo desconfiado”, ressalta.
Foto: Alana Dias / Bahia Notícias
Ele diz ainda que a solução é doar os peixes para evitar perdas e ajudar a comunidade. “Como é que o pessoal vai comprar peixe na minha mão? Eu tenho que dar peixe. É um vício eu pescar. Entendeu? Então eu tenho que fazer doação de peixe para não ter prejuízo de jogar peixe fora, meus pescados. Então, eu estou sendo — e não só eu, como outros pescadores estão sendo — prejudicado de várias maneiras”, relata.
Joilda, que é permissionária, narra que a comunidade se esforça para manter a esperança de que o bairro possa voltar às suas origens. “A normalidade daqui é a gente ver nossas crianças correndo para lá e para cá, a gente ter a segurança e saber que elas não vão ser contaminadas. É a gente receber um turista aqui e a gente poder chegar na faixa de areia, botar a nossa barraca. Um pai de família levantar de manhã cedo e ir para a sua maré e buscar o seu marisco, a sua esposa esperando em casa, ferventar os seus frutos do mar, catar, embalar e sair para poder fazer as suas vendas”, conta.
Para a moradora, que também tem participação ativa nas negociações, não é apenas o retorno financeiro que importa. “É isso que é importante para a gente, a nossa normalidade é isso: a gente saber de manhã quando a gente acorda, eu tenho um destino, eu vou trabalhar, eu vou buscar o meu pão. Não é chegar aqui na praia e ver esse desespero, ver urubus comendo restos mortais de peixes”, completa.
Ainda nesta sexta-feira (8), a comunidade de São Tomé se reuniu em frente à praia, ao lado do terminal, para discutir os rumos das negociações envolvendo o Ministério Público e as empresas envolvidas. É por meio destas reuniões que os moradores que conseguem participar das reuniões de situação repassam as informações aos vizinhos.
Foto: Arquivo pessoal da comunidade.
Ainda no local, em frente à praia, que é santuário do bairro, os moradores realizam atividades coletivas para compartilhar alimentos, doações, além de fazer companhia e garantir o lazer durante a espera de soluções e respostas definitivas.