Irã propõe reabrir estreito de Hormuz em dois dias caso EUA aceitem condições impostas

O Irã afirmou nesta segunda-feira (2) que está preparado para reabrir o estreito de Hormuz em até dois dias, e não em sete, como previa a proposta anterior, caso Washington aceite suas condições. A rota marítima, bloqueada por Teerã desde o início da guerra, transportava um quinto do consumo mundial de petróleo antes do conflito.
 

"A possibilidade de implementar esse plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, a jornalistas. "Declaramos que, se as exigências do Irã forem atendidas, será possível restabelecer a segurança no estreito de Hormuz e retomar o processo de negociação."
 

Baqaei afirmou que mensagens continuam sendo trocadas com os EUA por meio de mediadores e que "tudo depende" de Washington aceitar as exigências iranianas. "Somente então poderemos discutir as etapas seguintes", acrescentou.
 

Os contatos para pôr fim à guerra de oito meses continuam, segundo Teerã, após dias de negociações iranianas com mediadores do Qatar terminarem com novas propostas, mas sem avanços decisivos. O chanceler Abbas Araghchi reforçou a oferta: "Se os EUA aceitarem nossas condições, o estreito de Hormuz será reaberto e as negociações serão retomadas".
 

O presidente Masoud Pezeshkian informou, segundo a Irna, que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, concedeu "poderes" aos representantes do regime nos esforços para pôr fim à guerra, sem especificar quais seriam.
 

As declarações ocorrem enquanto Donald Trump faz novas ameaças contra o país persa. Nos últimos comícios de campanha para as eleições de meio de mandato, o presidente americano adotou um tom beligerante. "A única razão pela qual ainda não terminei com o Irã é que quero ser gentil. Quero tentar salvar todas aquelas vidas, se puder. Mas, em algum momento, teremos que usar o martelo contra eles", disse a eleitores em Iowa.
 

Ele não descartou novos ataques contra alvos militares, como a montanha Kolang, suspeita de abrigar um complexo nuclear subterrâneo. Baqaei afirmou que qualquer agressão será respondida com "uma resposta poderosa, imediata e abrangente".
 

Teerã mantém o bloqueio de Hormuz desde fevereiro, o que provocou uma disparada nos preços da energia e criou um desafio eleitoral para Trump.
 

Em setembro, o Irã apresentou um plano de sete dias para reabrir o estreito, com exigências como o fim da guerra em todas as frentes, o desbloqueio dos ativos iranianos, o levantamento das sanções ao petróleo e o fim do bloqueio aos portos iranianos.
 

Em entrevista à Al Jazeera, divulgada no domingo (1º), Araghchi disse que Washington precisa aceitar uma nova rota, acordada entre Irã e Omã, para a passagem de embarcações, além de suspender as sanções e reduzir o número de tropas americanas na região. Desde agosto, a Casa Branca anuncia novas sanções, como parte do que classificou de "asfixia econômica" do Irã.
 

Autoridades de Paquistão, Qatar, Arábia Saudita e Turquia conversaram com Teerã nos últimos dias, e o vice-presidente americano, J. D. Vance, enviou uma carta ao país. O chefe de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, falou por telefone com Vladimir Putin sobre a guerra, segundo a mídia estatal.
 

O chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a guerra no Oriente Médio, informou a mídia estatal iraniana, sem fornecer mais detalhes.
 

O governante de Omã, sultão Haitham bin Tariq, discutiu a guerra com o líder chinês, Xi Jinping, durante uma visita a Pequim. O principal diplomata da China, Wang Yi, afirmou que Pequim apoia Teerã na "defesa de sua própria soberania e segurança". 

 

BYD vai inaugurar três novas fábricas em Camaçari para ampliar nacionalização de veículos

BYD vai inaugurar três novas fábricas em Camaçari para ampliar nacionalização de veículos
Foto: Eduardo Andrade / SDE

A unidade da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), vai inaugurar três novas fábricas para ampliar a nacionalização dos veículos produzidos na Bahia. A partir de novembro, a montadora chinesa iniciará os testes de produção nas etapas de estamparia, soldagem e pintura. As informações são de apuração do Poder360.

 

Até então, o complexo industrial baiano, inaugurado em outubro de 2025, operava exclusivamente no modelo SKD (semi-knocked down), sistema em que os veículos chegam ao país em kits parcialmente desmontados para a montagem final. Com a implantação das novas etapas, a empresa pretende superar 50% de conteúdo local na produção a partir de janeiro de 2027.

 

A unidade iniciou as operações com a fábrica de montagem final, responsável por procedimentos como verificações de segurança, abastecimento parcial dos veículos e instalação de pneus e rodas. Com a expansão, a linha de produção passará a incorporar etapas anteriores, incluindo a fabricação da carroceria, a soldagem e a pintura.

 

O modelo SKD permitiu à montadora reduzir os investimentos iniciais, acelerar a entrada no mercado brasileiro e capacitar trabalhadores locais. A estratégia também é utilizada por fabricantes para reduzir custos relacionados a impostos e tarifas de importação.

 

A ampliação da produção nacional também tem como objetivo viabilizar exportações para outros países do Mercosul, especialmente a Argentina, que estabelece exigências de conteúdo regional para a importação de veículos e aplica tarifas que podem chegar a 35%.

 

Apesar do avanço da nacionalização, parte dos componentes continuará sendo importada da China, principalmente em razão das restrições à transferência de tecnologia. Segundo o vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, a empresa chegou a solicitar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acordos que permitam a transferência de tecnologia chinesa.

 

“É um sonho como esse que a fábrica da BYD idealiza, mas não depende de uma decisão corporativa. É muito mais uma decisão diplomática, em que nós poderíamos aproveitar que temos as maiores bacias de lítio do planeta aqui no cone sul do continente sul-americano”, afirmou Baldy em entrevista a jornalistas.

 

A China mantém regras restritivas para a transferência de tecnologia por empresas nacionais que operam no exterior, especialmente quando envolvem ativos considerados estratégicos.

 

BYD NA BAHIA

O complexo industrial da BYD em Camaçari produz atualmente quatro modelos eletrificados: Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2. A capacidade instalada inicial é de 150 mil veículos por ano, com previsão de expansão gradual até alcançar 600 mil unidades anuais ao final de todas as etapas do projeto.

 

De acordo com estudo do Observatório da Indústria, a operação mantém mais de 9,5 mil empregos diretos, dos quais aproximadamente 90% são ocupados por trabalhadores baianos. A empresa é a segunda maior empregadora do setor industrial da Bahia.

 

Em entrevista ao Poder360, Baldy também afirmou que o fim da escala de trabalho 6x1, promulgado em 16 de outubro, não deverá comprometer a produção da montadora.

 

A BYD ocupa a área onde funcionava a antiga fábrica da Ford, em um terreno de 4,65 milhões de metros quadrados. O complexo foi inaugurado com investimento inicial de R$ 5,5 bilhões e é considerado o maior centro industrial da montadora fora da China.

 

VÍDEO: Temporal com ventos de 122 km/h destrói quartel dos Bombeiros e provoca estragos no interior do Paraná
Foto: Reprodução / PRF

Um forte temporal, acompanhado de granizo e rajadas de vento de aproximadamente 122 km/h, atingiu Maringá, no norte do Paraná, na madrugada desta segunda-feira (2), e provocou estragos em diferentes pontos da cidade. Uma das estruturas danificadas foi o quartel do Corpo de Bombeiros, que teve parte do telhado destruída.

 

Veja em vídeo:

 

Segundo dados preliminares do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), as rajadas chegaram a cerca de 122 km/h. A intensidade dos ventos e o padrão de destruição observado levantaram a possibilidade de formação de um tornado na região. Até o momento, porém, não há confirmação oficial do fenômeno, que depende de análise técnica dos órgãos meteorológicos.

 

Segundo informações do portal g1, a tempestade provocou quedas de árvores, destelhamentos, danos em imóveis e veículos, além de interrupções no fornecimento de energia elétrica. Equipes de emergência atenderam dezenas de ocorrências ao longo da cidade.

 

Entre os locais atingidos estão trechos da Avenida Tiradentes e da Vila Morangueira, onde árvores de grande porte caíram e provocaram bloqueios para a retirada dos destroços e a realização de procedimentos de segurança. A decoração natalina da programação Maringá Encantada 2026 também foi danificada pela força dos ventos.

 

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a dimensão dos prejuízos em diferentes pontos do município. Outro município paranaense afetado pelas condições climáticas foi Marquinho, na região central do estado. A cidade foi atingida por um temporal com granizo na tarde de domingo (1º), que provocou danos em aproximadamente 70% do município.

 

Um levantamento inicial da prefeitura aponta que cerca de 270 residências foram danificadas na cidade e na zona rural. Escolas municipais, Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e outros prédios públicos também foram atingidos.

 

Diante dos prejuízos, o prefeito Júnior Bolzon determinou a suspensão das aulas e do transporte escolar até quarta-feira (4), para que as estruturas sejam avaliadas e a segurança de estudantes e funcionários seja preservada. O senador e governador eleito do Paraná, Sérgio Moro (PL), manifestou solidariedade aos moradores dos municípios atingidos pelos temporais, entre eles Maringá e Marquinho.

 

Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que pretende reforçar a capacidade de resposta do estado diante de eventos climáticos extremos. “Mais uma vez, várias cidades paranaenses, como Marquinhos e Maringá, foram atingidas por ventanias, granizo e chuvas fortes, com graves prejuízos à população. Minha solidariedade a todos os atingidos. Reforçaremos a nossa capacidade para enfrentar essas intempéries”, escreve.

 

Homem é preso após agredir esposa e fraturar nariz de bebê de 1 ano no sudoeste baiano
Foto: Reprodução / Achei Sudoeste

Um homem de 35 anos foi preso em flagrante no domingo (1º), suspeito de agredir a esposa e a filha do casal, de um ano e seis meses, em Caetité, no sudoeste da Bahia. Durante as agressões, a criança foi atingida, ficou desacordada e sofreu uma fratura no nariz.

 

Segundo informações da Polícia Militar confirmadas pelo G1, a mulher relatou que foi agredida pelo companheiro enquanto segurava a filha no colo. Um dos socos atingiu a bebê. Após as agressões, o suspeito pegou a criança e seguiu em direção a um bar próximo à residência da família, onde a jogou no chão.

 

A mãe e uma vizinha tentaram retirar a menina dos braços do homem, mas não conseguiram. Os policiais militares encontraram a bebê desacordada e acionaram o socorro. A criança foi encaminhada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foram constatados uma fratura no nariz e um edema no rosto.

 

A menina permanece internada nesta segunda-feira (2) e deverá ser transferida para Salvador. Não foram divulgadas informações atualizadas sobre o estado de saúde dela. O homem foi encaminhado para a custódia em Guanambi, onde permanece preso.

 

Grécia compra aviões da Embraer em negócio que movimenta R$ 3,6 bi
Foto: Divulgação / Embraer

O governo da Grécia anunciou nesta segunda-feira (2) que irá comprar até seis aviões de transporte KC-390 Millennium da Embraer, consolidando a posição da aeronave no mercado europeu. O país será o nono no continente e o oitavo da aliança militar Otan a escolher o modelo.
 

Segundo o Ministério da Defesa grego, três aeronaves serão adquiridas agora, com mais três opções de compra por meio de um acordo conjunto com Portugal, que já recebeu 4 dos 6 aviões que encomendou da Embraer.
 

Pelo arranjo, Lisboa deverá fazer a compra dessas aeronaves adicionais e as repassará para Atenas, auferindo um lucro equivalente hoje a R$ 180 milhões em um negócio de R$ 3,6 bilhões. O negócio direto grego com a Embraer não teve valores divulgados.
 

A vantagem para a Grécia está na rapidez da entrega, já que o arranjo entre Portugal e a Embraer permite passar aviões na fila de produção. Com isso, o primeiro KC-390 do país será entregue já no próximo ano.
 

Hoje Atenas opera o avião de transporte que vem sendo devorado pelo KC-390 na Europa, o venerando C-130 Hércules. São 15 unidades do modelo quadrimotor turboélice americano, onipresente no mercado mundial desde os anos 1950 e que transporta até 19 toneladas.
 

O avião brasileiro, além de mais moderno e com dois motores a jato, leva até 26 toneladas. E a Grécia comprou a versão KC, em que o K indica a capacidade de reabastecimento aéreo que hoje seus Hércules não têm. Os gregos ainda voam 13 cargueiros italianos C-27J, para 11,5 toneladas. Na Europa, há cerca de 130 Hércules em operação.
 

A Embraer conseguiu fincar bandeira nesse mercado, e já vendeu seis unidades para Portugal, cinco para a Holanda, quatro para a Suécia, dois para a Hungria, dois para a República Tcheca, três para a Lituânia, três para a Eslováquia e quatro para a Áustria -único país que não é da Otan, mas opera em coordenação com a aliança de 30 países europeus, mais Canadá, liderada pelos Estados Unidos.
 

No caso dos Estados Bálticos, ainda não há contrato finalizado. O KC-390 também foi comprado por clientes da Ásia (Coreia do Sul e Uzbequistão), Oriente Médio (Emirados Árabes Unidos) e América Latina (Colômbia).
 

A Embraer tem na mira ainda o maior mercado militar do mundo, os EUA, e a gigante asiática Índia. No primeiro caso, o obstáculo maior é que ainda há versões modernizadas do Hércules sendo feitas, enquanto a negociação com os indianos está mais avançada -lá, a expectativa é de uma encomenda de dezenas de aviões.
 

O KC-390 foi desenvolvido a partir de um pedido da Força Aérea Brasileira (FAB) em 2008, e o primeiro cargueiro foi entregue 11 anos depois. O negócio teve percalços, e a encomenda foi reduzida de 28 para 19 aviões, oito dos quais foram entregues. No meio do caminho, contudo, o avião tornou-se um sucesso de exportação.
 

Além de um projeto elogiado no mercado, há a realidade geopolítica: enquanto sua linha de produção começou a pegar ritmo em Gavião Peixoto (SP), o mundo afundou em um período de instabilidade, com guerras entre Estados voltando a ser a norma, como se viu quando Vladimir Putin invadiu a Ucrânia em 2022 e no ataque americano-israelense ao Irã, neste ano.
 

Com isso, houve uma aceleração global nos gastos militares, puxada pela percepção europeia de ameaça russa e pela volta de Donald Trump ao poder. O presidente americano tratou de desengajar-se das responsabilidades de defesa dos aliados continentais da Otan, levando a um programa de rearmamento.
 

Neste ano, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, os países da Europa programaram gastar 90% a mais com defesa, em termos nominais, do que no 2021 que antecedeu a Guerra da Ucrânia.
 

No caso da Grécia, que é afetada também pela instabilidade no Oriente Médio e no leste do Mediterrâneo, o rearmamento também acompanha a escalada de pretensões estratégicas de sua maior rival histórica, a parceira de Otan Turquia.
 

No ano passado, Atenas aprovou um plano de gasto com armas equivalente a R$ 135 bilhões em 12 anos, do qual a compra dos KC-390 é o primeiro passo.

 

Inscrições para vagas remanescentes do Fies terminam na terça-feira
Foto: José Cruz/Agência Brasil

As inscrições para as vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), referentes ao segundo semestre de 2026, estão abertas até o dia 3 de novembro, exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Para acessar, é preciso fazer login pela conta da plataforma Gov.br.

 

O programa oferece financiamento para estudantes que desejam cursar o ensino superior em faculdades privadas bem avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC). O Fies cobre as mensalidades do curso e permite que o estudante pague, com condições facilitadas, o valor financiado após a conclusão da graduação.

 

Nesta edição, as vagas remanescentes destinam-se exclusivamente à contratação do financiamento no segundo semestre letivo deste ano, sem possibilidade de extensão do prazo. Uma das etapas do processo seletivo vai verificar se os candidatos pré-selecionados têm condições de acompanhar as atividades acadêmicas e concluir o semestre com aproveitamento suficiente.

 

QUEM PODE PARTICIPAR 
Para participar, é necessário ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010, com média igual ou superior a 450 pontos nas cinco provas de conhecimentos e nota acima de zero na redação. O estudante não pode ter participado do exame como treineiro.

 

O candidato também precisa ter renda familiar mensal bruta por pessoa de até três salários mínimos, de acordo com o edital, que trata da ocupação das vagas.

 

Na parte acadêmica, o candidato pré-selecionado deve ter condições de cumprir a frequência mínima exigida pela instituição privada de ensino superior neste segundo semestre letivo de 2026.

 

VAGAS 
Ao todo, são 50 mil vagas distribuídas pelo país. O edital reserva 50% dessas vagas remanescentes a candidatos com renda familiar mensal por pessoa de até meio salário mínimo e inscrição atualizada no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico). Para essa verificação, serão consideradas as informações cadastrais atualizadas até 8 de outubro de 2026.

 

Os estudantes pré-selecionados nessa modalidade poderão solicitar financiamento de até 100% dos encargos educacionais, conforme as regras do programa. O resultado da chamada única está previsto para 16 de novembro.

 

Hospital em Salvador tem suíte dentro de igreja para pacientes em fim de vida; idoso de 105 anos passou últimos dias lá

Um hospital de Salvador montou uma suíte dentro da própria igreja para receber pacientes religiosos em cuidados paliativos, tratamento voltado ao conforto e à qualidade de vida de quem tem doenças graves ou está no fim da vida. A estrutura fica no Hospital Casa de Retiro São Francisco, no Horto Florestal, que pertence à Rede Longevus de Saúde. Um dos pacientes que passaram por lá foi Crispiniano Reis, de 105 anos, frequentador antigo da igreja, que viveu ali seus últimos dias.

 

Segundo o hospital, a ideia é permitir que pessoas com forte ligação com a fé recebam atendimento médico e de outros profissionais de saúde em um ambiente religioso, perto da família. A instituição afirma que a estrutura é a única do tipo no mundo. O hospital funciona em um complexo histórico fundado em 1945, cercado de áreas verdes.

 

O presidente da Rede Longevus, o cardiologista Fábio Vilas-Boas, ex-secretário da Saúde da Bahia, defende que a espiritualidade faça parte do cuidado. 

 

“Há pessoas para quem a fé representa o maior conforto nos momentos mais difíceis da existência. Se podemos oferecer a esses pacientes a possibilidade de permanecer em um ambiente sagrado, cercados pelo carinho de seus familiares e recebendo todos os cuidados necessários, estamos respeitando algo profundamente importante: a maneira como cada pessoa deseja ser cuidada até o fim da vida”, afirmou.

 

Para ele, os avanços da medicina não eliminam outras necessidades dos pacientes. “Em determinados momentos, o que uma pessoa mais necessita é de conforto, presença, dignidade e paz. A espiritualidade pode ter um papel muito importante nesse processo”, disse.

 

Morador de Brotas, Crispiniano estava em atendimento domiciliar quando a família decidiu que não queria que os últimos momentos dele fossem vividos em casa. Ele foi levado para a suíte, dentro de uma igreja que frequentava havia anos e que passou recentemente por restauração. 

 

Novas regras do SAC entram em vigor com exigência de atendimento humano diário
Foto: Reprodução / TV Globo

As novas regras para o funcionamento dos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) de empresas com serviços regulados pelo governo federal passaram a valer nesta segunda-feira (2). A principal mudança estabelece a obrigatoriedade de oferta de atendimento humano, via telefone ou chat, diariamente, no período das 8h às 20h.

 

A medida visa reverter a flexibilização adotada durante a pandemia de covid-19, que havia ampliado o uso exclusivo de ferramentas automatizadas. 

 

Segundo informações divulgadas sobre o decreto do governo federal, publicado em 13 de outubro, as normas aplicam-se a concessionárias de energia, operadoras de telefonia e planos de saúde, companhias aéreas e instituições do setor financeiro, como bancos e fintechs. 

 

O texto normativo fixa ainda a obrigatoriedade de acesso imediato às opções de cancelamento de contratos e limita o atendimento a, no máximo, cinco níveis de navegação para a resolução das demandas. 

 

Além disso, em casos de interrupção nas chamadas telefônicas antes da conclusão do serviço, as empresas ficam obrigadas a retornar o contato com o consumidor no prazo máximo de cinco minutos (300 segundos). Para empresas de serviços não regulados, como plataformas de transporte e entregas por aplicativo, o decreto prevê o envio de informações cadastrais sobre suas estruturas de atendimento aos órgãos governamentais.


Viúva de Lito Sousa relata rotina de dor e solidão um mês após a morte do piloto
Foto: Reprodução / Instagram @lito

Uma rotina carregada de lembranças e de ausência. Assim a empresária Mila Seidl, 41, esposa do piloto e influenciador Joselito Geraldo de Sousa, conhecido como Lito Sousa, define seus dias atuais em um vídeo publicado nas redes sociais. Lito morreu em 1º de outubro, aos 59 anos, em decorrência da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
 

"Já passou um mês. E é engraçado que a vida voltou ao normal para todo mundo. E mesmo para aquelas pessoas que amam muito -e eu não duvido que essas pessoas amem muito. Mas eu me sinto sozinha nisso, sabe? Porque para mim foram dias arrastados... 30 dias que eu não sei como que eu cheguei até aqui. Eu não sei como eu sobrevivi a esses 30 dias. Foi difícil, às vezes, respirar. Foi difícil levantar. Foi difícil comer. Foi difícil fazer tudo o que, para vocês, pareceu que foi fácil", diz Mila.
 

Lito divulgou o diagnóstico da DCJ nas redes sociais no dia 21 de agosto. Ele estava internado no Einstein Hospital Israelita desde o dia 8 de setembro por complicações da doença.
 

A doença é neurodegenerativa, ou seja, provoca a morte progressiva dos neurônios, causada pelo acúmulo anormal de uma proteína no cérebro chamada príon.
 

É considerada rara, com incidência estimada de 1 a 2 casos por milhão de habitantes por ano, segundo o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos. Tem evolução rápida -a sobrevida tende a não exceder quatro a seis meses.
 

Logo que a DCJ foi anunciada, a família, os amigos e os seguidores iniciaram uma campanha nas redes sociais para que Lito pudesse entrar em algum tratamento experimental fora do país e ter acesso a alguma substância que ajudasse a diminuir a progressão da doença.
 

No dia 14 de setembro, Mila disse que Lito havia recebido uma substância experimental, a ALN-6457. Pediu torcida e orações.
 

"O luto é uma dor da alma e do corpo", afirma. Ao longo do desabafo sobre o luto, Mila disse que a internet a colocou como vilã e heroína, mas que é uma pessoa comum sentindo a pior dor.
 

"Quando você encontrar alguém que está passando por isso, entenda, ela está sofrendo muito, mesmo que não pareça, mesmo que ela não fale. Eu me sinto como uma pessoa cercada de gente que me ama, experimentando uma solidão. É difícil explicar, mas hoje fica o meu dia em homenagem ao meu único e maior amor. Eu te amo. Pra sempre."
 

Lito nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e se tornou conhecido por explicar os bastidores da aviação na internet de forma simples.
 

Ele era mecânico de aeronaves e criou o blog Aviões e Músicas em 2004. Em 2010, levou o projeto para o YouTube. O canal se tornou uma das principais referências brasileiras sobre aviação na plataforma.
 

Nos vídeos, ele explicava de maneira acessível assuntos que costumam despertar curiosidade entre passageiros, como turbulência, procedimentos de segurança, funcionamento das aeronaves e acidentes aéreos. Também abordava dúvidas comuns de quem tem medo de voar e buscava explicar o que acontece em um avião durante diferentes situações de voo.
 

Em 2021 tirou sua habilitação como piloto privado (brevê) e, em 2023, com a esposa, fundou a Lito Academy e criou o curso Sem Medo de Voar, que ajudava pessoas a perder o medo de viajar de avião.

 

Mais de 180 jornalistas foram mortos no mundo em 2024 e 2025, diz Unesco
Foto: Yunus Erdogdu / Pexels

Levantamento divulgado nesta segunda-feira (2) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mostra que 189 jornalistas foram assassinados no mundo em 2024 e 2025. Esse é o maior número de mortes registrado pela Unesco desde o biênio 2014/2015, ou seja, dez anos antes, quando foram observadas 215 ocorrências.

 

De acordo com o Relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade, a maior parte das mortes (127) ocorreu em país que são zonas de conflito, ou seja, 67% do total. Houve um aumento de 24% em relação ao biênio 2022/2023. As informações foram detalhadas pela Agência Brasil. 

 

Cinquenta dessas mortes foram por drones. Ataques a escritórios de veículos de imprensa ou instalações que abrigavam jornalistas também foram registrados nessas áreas de conflito. Pelo menos 36 morreram nessa situação. Em um dos casos, nove profissionais morreram de uma só vez.

 

O levantamento mostra ainda que, em pelo menos 15 casos, há indícios de que os jornalistas tenham sido alvejados mesmo usando coletes com a identificação de “imprensa” ou estando em carros claramente identificados como sendo de jornalistas.

 

O número de profissionais de imprensa que foram mortos em países fora de zonas de conflito no biênio 2024/2025 (62 casos) é o menor em 18 anos. Desses 62, 17 foram assassinados em seus escritórios; 33, em seus veículos; e 20, na própria casa, em alguns casos junto com membros de suas famílias. Quatro morreram em ataques terroristas e sete foram mortos em situações de manifestações, seja por manifestantes seja por forças policiais.

 

Em relação ao contexto das mortes, o levantamento mostrou que 104 delas ocorreram enquanto jornalistas cobriam conflitos armados. Mas houve também 38 mortes daqueles reportavam sobre política, 22 dos que trabalhavam em histórias sobre atividades criminais e outras daqueles que noticiavam sobre corrupção.

 

Dentre os 189 mortos, cinco tinham entre 15 e 24 anos e 20, entre 25 e 29 anos. Foram mortas 14 mulheres, ou seja, 7% do total, o menor percentual desde o biênio 2012/2013. Treze dessas jornalistas foram mortas em países zonas de conflito.

 

A Palestina, que desde 2023 vem sofrendo ataques de forças israelenses, foi o local onde houve mais mortes de jornalistas (62), ou seja, um terço do total registrado no biênio.

 

No Brasil, foi registrada apenas uma morte, Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, assassinado no estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no nordeste do Pará, em maio de 2025. De acordo com a Polícia Civil do Pará, o inquérito foi concluído e remetido à Justiça, com quatro pessoas indiciadas.

 

Apesar de apresentar apenas dados relacionados a assassinatos, o relatório também reforça que os jornalistas estão sujeitos a outros tipos de violência não letal, como sequestros, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, ataques online baseados no gênero do jornalista e a limitação ao movimento desses profissionais.

 

A Unesco também entrou em contato com autoridades dos 78 países com registros de violência contra jornalistas. Desse total, 38 forneceram informações sobre medidas adotadas para promover a segurança desses profissionais e combater crimes contra eles.

 

O Brasil, de acordo com o relatório, informou que adotou o Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, iniciativa lançada em abril deste ano, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O protocolo foi incluído no repositório de mecanismos nacionais de segurança da Unesco.