Alcolumbre pede agenda com Lula para restabelecer relação após derrota de Messias
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou a emissários do governo o desejo de conversar pessoalmente com o presidente Lula (PT). A ideia é reconstruir pontes após a Casa impor ao petista uma derrota histórica na última semana, rejeitando a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal).
 

A interlocutores Alcolumbre avisou que deseja encerrar o caso -nas palavras dele, "passar a régua" no episódio. Nessas conversas, o presidente do Senado sustenta que não trabalhou contra a indicação de Lula e que a rejeição foi resultado de uma insatisfação da Casa, cujo risco foi alertado por ele ao Planalto anteriormente.
 

O recado é que o parlamentar não quer prejudicar o governo e não vai trancar propostas ou pautar surpresas indigestas para o Executivo.
 

Até a derrota de Messias, Alcolumbre era visto como o presidente de uma Casa que deu pouca dor de cabeça a Lula. O tom dado pelo senador amapaense é que segue sendo do seu interesse jogar junto ao governo. A aliados do centrão ele havia comunicado que apenas procurava abrir um canal de interlocução com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição à Presidência, mas sem aderir à oposição.
 

Lula, por sua vez, também deixou claro que não deseja queimar pontes com Alcolumbre. Após a derrota na semana passada, disse "vida que segue" aos seus articuladores. Na terça-feira (5), o ministro José Mucio (Defesa) foi ao encontro do Senador para sentir a temperatura. Na quarta-feira (6), foi a vez do ministro José Guimarães (Relações Institucionais) almoçar com o chefe do Legislativo.
 

No Senado, Alcolumbre tem conversado com aliados de Lula, como o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), com quem esteve na manhã desta quinta-feira (7).
 

No rol de possibilidades aventadas no Planalto para melhorar o desempenho no Senado, está a troca de ocupantes de lideranças do governo na Casa. Aliados sugerem que Randolfe seja afastado por causa da sua proximidade com Alcolumbre, pela aliança no Amapá, e também porque o petista precisará se dedicar à reeleição no estado.
 

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também é alvo de objeções. Alcolumbre rompeu relações com o petista durante o processo de indicação de Messias, e uma ala do governo aponta a impossibilidade de mantê-lo na liderança sem relação direta com o presidente da Casa.
 

O governo tem propostas importantes nas mãos de Alcolumbre. Estão para ser votadas no Senado as PECs (Propostas de Emenda à Constituição) do Suas (Sistema Único de Assistência Social) e a da Segurança Pública. O projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos no Brasil, as chamadas "terras raras", também aguarda análise dos senadores.
 

A prioridade legislativa do governo para a eleição, o fim da escala 6x1, também precisará passar pelo Senado. A PEC está na Câmara e deve ser votada até o final de maio. Ou seja, o Planalto precisará da boa vontade de Alcolumbre para aprová-la até junho, mês que naturalmente é mais conturbado pela intensificação da pré-campanha e pelo início da Copa do Mundo.
 

Apesar desses movimentos, a fase do relacionamento entre Alcolumbre e governo foi descrita como abrasiva por um ministro de Lula. E, mesmo com esse esforço mútuo de reaproximação, o envolvimento de líderes do centrão com o caso do Banco Master deverá ser explorado pelo PT na disputa presidencial.
 

Sobre a rejeição de Messias, por exemplo, a estratégia será reprisar que adversários de Lula se uniram a ministros do STF para impedir o avanço das investigações, prejudicando um evangélico.
 

A associação de bolsonaristas ao caso ameaça azedar a relação com dirigentes partidários investigados. Pivô do escândalo, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro se reuniu com Alcolumbre em 2025 na residência oficial do Senado, de acordo com diálogos dele com a ex-namorada Marta Graeff que estavam em um dos celulares apreendidos pela PF.
 

A Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do estado, aplicou R$ 400 milhões em títulos de alto risco do banco. A instituição era comandada por Jocildo Silva Lemos, alvo da PF em fevereiro e afilhado político de Alcolumbre.
 

 

Suspeito tenta jogar R$ 50 mil pela janela durante operação de combate a facção criminosa em Salvador; veja vídeo
Foto: Polícia Civil

Um homem acusado de vínculo com uma organização criminosa na Bahia foi flagrado tentando jogar R$ 50 mil em dinheiro e um celular pela janela, durante ações da Operação Swell nesta quinta-feira (7), no bairro do Rio Vermelho, área nobre de Salvador. A operação é parte de uma ação deflagrada na Bahia e no Rio de Janeiro (RJ).

 

 

A Polícia Civil informou, em nota, que o homem não era alvo da ação, mas acabou preso em flagrante por obstrução de investigação. Outras três pessoas foram presas e outras três tiveram mandados de prisão cumpridos no sistema prisional. Os demais envolvidos tinham mandados em aberto e o grupo é suspeito de integrar a facção.

 

Em Salvador, também foram cumpridos mandados de prisão no Complexo do Nordeste de Amaralina. E no Rio de Janeiro, as ações se concentraram em Jacarepaguá. Ao todo, teriam sido 15 mandados de busca e apreensão cumpridos, sendo 13 na Bahia, nos municípios de Salvador, Itaparica e Maragogipe, e dois no estado do Rio de Janeiro.
 


 

Águas de São Tomé: MP-BA diz que contaminação tem “DNA” da Intermarítima e Gerdau e busca acordo para ressarcimento da comunidade
Foto: Divulgação / MP-BA

Cerca de 58 dias após a interdição das operações da Intermarítima no Terminal Itapuã, em São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, no dia 11 de março, a responsabilização em torno dos metais pesados encontrados na água, sedimentos e animais marinhos na praia segue em negociação lenta. Nesta quinta-feira (7), o Bahia Notícias conversou com a promotora de Justiça Hortênsia Gomes Pinho, da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo da Capital, sobre o andamento do inquérito civil relacionado ao crime ambiental registrado na Baía de Todos-os-Santos.

 

Na série de reportagens “Águas de São Tomé”, o Bahia Notícias relembra o histórico deste acidente ambiental que impactou a vida e a sociabilidade da comunidade de São Tomé de Paripe e expôs fragilidades na gestão ambiental na Baía de Todos-os-Santos. Ao BN, a promotora relata que as reuniões de situação estão ocorrendo semanalmente para o monitoramento e a gestão do andamento do processos. A reunião desta quarta-feira (6), estiveram presentes representantes da comunidade local, do Inema e das empresas envolvidas.

 

A representante da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente explica que o caso faz parte de uma série de investigações envolvendo o Terminal Itapuã. O local hoje é operado pela empresa Intermarítima Portos e Logística.

 

“Tomei conhecimento através da mídia, através das reportagens que estavam ocorrendo. Eu já tinha um procedimento por poluição atmosférica, poluição sonora e problemas de mobilidade urbana pelo Terminal Itapuã, que é exatamente de onde estava saindo a contaminação química. Então, quando vi a reportagem, passei também a investigar essa poluição”, disse a promotora.

 

Segundo Hortênsia, as primeiras medidas para a investigação foram o diálogo com as partes, em especial a população, que atuou como denunciante do processo de contaminação. “A gente procurou saber o que existia, então solicitamos intervenções dos órgãos públicos e verificamos que já havia uma inspeção feita pelo órgão ambiental, o Inema [Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos], e, nesse procedimento, foi decretada a interdição da empresa”.

 

No entanto, para ela, a interdição temporária da empresa não é suficiente para o cenário que se desenrola: “A partir das deliberações dessa sala de situação, eu encaminhei uma recomendação ao Inema para o cancelamento da licença ambiental do terminal marítimo, cancelamento em caráter definitivo, e [encaminhei] um requerimento de instauração de inquérito policial à Polícia Federal”.

 

A promotora explica que a atuação do Ministério Público estadual (MP-BA), neste caso, se dá em instância de inquérito civil; já o inquérito da Polícia Federal foi confirmado ainda nesta quarta-feira (6). Conforme divulgado pelo BN anteriormente, a entidade já solicitou perícia na região.

 

A representante do MP explica que a indicação de um inquérito policial se deu pois, além do caráter “acidental” do caso, “vi ali elementos de que se assumiu o risco de provocar aquele dano e aquela catástrofe, porque as empresas já tinham conhecimento da contaminação desde 2020, através de laudos técnicos de uma empresa chamada Arcades”, afirma Hortênsia.

 

Para Hortênsia, o tamanho do impacto ambiental já é consideravelmente maior que em outras experiências registradas na Bahia, a exemplo do petróleo encontrado nas praias baianas em 2021. “Considerando que a gente tem 800 famílias que são vítimas, comprometidas em sua maneira de viver, de comer, seu estilo de vida, tudo comprometido, eu entendo que é um dano de grandes dimensões. Tecnicamente, [esse caso] é chamado de um acidente químico ampliado de uma catástrofe industrial”, destaca.

 

Ainda nesta quinta, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) informou ao Bahia Notícias que o novo laudo técnico relativo às amostragens de água superficial marinha, água intersticial, sedimento e biota (animais) foi oficialmente encaminhado aos órgãos envolvidos no caso. O parecer técnico, segundo a pasta, “permitiu confirmar a presença de contaminação no sedimento, na biota e na água intersticial da praia”.

 

RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA
Acontece que o atual Terminal Itapuã, em São Tomé de Paripe, já vinha sendo operado há cerca de 70 anos antes do episódio que se desenrola hoje. Para a promotora de Justiça, o problema é de responsabilidade compartilhada entre as empresas privadas e até órgãos públicos.

 

Entre os anos de 1968 e 1973, operava a Usina Siderúrgica da Bahia (Usiba), uma estatal, antes de a empresa ser privatizada e adquirida pela empresa Gerdau. Desde então, o local passou a ser o Terminal Marítimo Gerdau (TMG), também conhecido como Terminal Marítimo de Granéis. Em 2021, a Intermarítima concluiu a aquisição de 100% dos ativos deste terminal da Gerdau, assumindo sua gestão integral.

 

A busca do MP é pelo acordo de responsabilização entre as partes, que garanta um ressarcimento de um salário mínimo (atualmente fixado no valor de R$ 1.621, na cotação de abril de 2026) por seis meses a cada uma das 800 famílias afetadas pela contaminação. Dentre elas, não estão apenas os pescadores e marisqueiras de São Tomé; ambulantes e permissionários foram diretamente afetados pela interdição da praia, queda no comércio e no turismo na região.

 

O valor total desses pagamentos representaria, conforme contas básicas realizadas no âmbito desta reportagem considerando os números disponíveis, cerca de R$ 7.780.800 (sete milhões, setecentos e oitenta mil e oitocentos reais) para ambas as empresas.

 

Em resposta à solicitação da Promotoria, apenas a Intermarítima se manifestou até o momento. Segundo a promotora Hortênsia, “a Intermarítima disse que não tem culpa de nada, mas que só assumiria, a título de contribuir na investigação, 10% desses custos”. “Eu propus 30% para a Intermarítima e 70% para a Gerdau, porque a Gerdau é muito mais rica e operou lá por mais tempo”, explica.

 

O prazo para a primeira resposta a essa negociação seria esta sexta-feira (8). “A resposta da Gerdau eu vou receber amanhã [esta sexta]. Então, havendo essas duas recusas das empresas — porque 10% não é suficiente, teria que ser 30% —, a gente vai entrar com a ação na Justiça Federal. O MP Federal e o Ministério Público Estadual, juntos, vão provocar a Justiça Federal com a documentação já existente, que ainda não é a completa, não é uma investigação definitiva, mas já há demonstração clara de autoria e nexo causal entre a ação da Gerdau e da Intermarítima com a contaminação”, garante Hortênsia Pinho.

 

Em entrevista ao BN, a servidora da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente ressalta que, durante a aquisição do Terminal, a Intermarítima foi comunicada pelo Ministério Público sobre as implicações ambientais do uso do aparelho.

 

“A Intermarítima não é inocente. Quando ela foi comprar o terminal, esteve no meu gabinete e eu avisei ao dono: ‘Não compre’. E fiz formalmente, está em ata, a orientação do MP para ele não comprar o terminal porque já havia um estudo técnico feito pela Fundação José Silveira e pago pela Gerdau, que determinava que a solução era o fechamento do terminal”, garante a promotora.

 

“Já havia, desde 2021, essa constatação de contaminação por metais pesados do lençol freático ali. E foram adotadas medidas mitigadoras singelas de pavimentação, que atingiam o objetivo de proteger só os trabalhadores internos, o meio ambiente do trabalho, esquecendo o ambiente externo. E essa omissão e essa falta de providências de ambas as empresas, seja da Gerdau quanto da Intermarítima, é que provocou esse acidente atual”, diz Hortênsia Pinho.

 

“A Gerdau operou o terminal de 89 a 2022; e, de 2022 a 2026, essa empresa chamada Intermarítima, que é dona do Terminal Itapuã, passou a operar. No período de quatro anos em que a Intermarítima operou, ela mudou muito [o modelo de atuação], porque intensificou o fluxo do transporte e diversificou as matérias”, argumenta.

 

Em sua operação, a Gerdau movimentava cargas de granéis sólidos, principalmente minério de ferro bruto ou pelotizado e sucata de ferro. A Intermarítima concentra suas operações na movimentação de granéis sólidos com foco principal em insumos agrícolas e industriais, a exemplo de fertilizantes.

 

“Essa intensificação [das operações], essa diversificação, somada ao passivo e à contaminação que já existia, é que gerou essa contaminação. Então, a ureia, que tem amônia, se juntou com o que eles estavam comercializando, com o cobre que já estava desde a época da Gerdau, e gerou a contaminação atual. Então, a contaminação está saindo do lençol freático e está aflorando assim, exsudando [nome dado ao processo em que uma ferida elimina fluido], saindo lá do lençol freático e contaminando”, explica a promotora.

 

Segundo Hortênsia, os metais pesados encontrados na praia de São Tomé “têm o DNA” das empresas: “E daí é que você vê aquela substância azul, que é o cobre, e a substância amarela, que é o cloreto amoniacal. As duas têm o DNA da empresa. O cobre era o produto comercializado pela Gerdau e o nitrato amoniacal vem dos fertilizantes comercializados pela Intermarítima; e foi encontrada essa substância nas canaletas de drenagem da empresa, dentro da empresa”, afirma.

 

No entanto, não apenas as entidades privadas seriam responsáveis pelo caso, segundo a Promotoria. “A gente constatou que temos uma inércia burocrática, tem um alto sistema de irresponsabilidade organizada. Então, os órgãos estão atuando, mas não têm estrutura, então não há a celeridade necessária. Já são três meses de contaminação e a gente não tem uma resposta mínima”, afirma.

 

O Bahia Notícias entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e Vigilância Sanitária, e com a Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), no âmbito da Prefeitura de Salvador; e com a Bahia Pesca e a Secretaria de Meio Ambiente (Sema), no âmbito do Governo do Estado da Bahia, para solicitar informações relacionadas ao atendimento às famílias afetadas em São Tomé de Paripe e ações referentes à fiscalização de pescados e recuperação ambiental do local, mas não obteve retorno até o momento desta publicação. 

 

BR-330 é liberada após mais de 48 horas de interdição entre Ubatã e Ubaitaba
Foto: Reprodução / Ubatã Notícias

O trecho da BR-330 entre Ubatã Ubaitaba, no Médio Rio de Contas, foi liberado no fim da tarde desta quinta-feira (7), após permanecer interditado por mais de 48 horas. O fato ocorreu devido a um acidente que envolveu uma carreta carregada com gás liquefeito de petróleo (GLP).

 

Foto: Reprodução / Ubatã Notícias

 

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o trânsito no km 885 da rodovia, na ponte do Oricó, foi restabelecido nos dois sentidos às 17h05. Com a conclusão da operação, o fluxo de veículos voltou à normalidade em um dos principais corredores viários da região.

 

Segundo o Giro em Ipiaú, parceiro do Bahia Notícias, as equipes responsáveis pela remoção da carreta iniciaram, por volta das 14h, a aplicação de espuma de segurança para viabilizar o destombamento do veículo, que ainda apresentava resíduos de gás inflamável.

 

Horas antes, durante a madrugada, por volta das 4h50, equipes da Ambipar e do Corpo de Bombeiros concluíram o processo de transbordo da carga remanescente de GLP. A operação foi considerada de alta complexidade devido ao risco de explosão e às condições da carga.

 

 

Os trabalhos foram retomados às 7h, com a chegada de uma equipe especializada do Corpo de Bombeiros do Polo Petroquímico, responsável pela avaliação técnica da ocorrência e pela retirada da carreta acidentada.

 

 

O acidente aconteceu no início da tarde da última terça-feira (5) e resultou na morte de um ciclista. O motorista da carreta ficou ferido. As causas do acidente devem ser apuradas. 

 

Superior Tribunal de Justiça
Foto: Divulgação

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu parcialmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em mais um desdobramento da Operação Faroeste, investigação que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais para legitimar a posse de mais de 800 mil hectares de terras no oeste da Bahia.

 

O colegiado acompanhou o voto do relator, ministro Og Fernandes, e tornou rés magistradas e empresários acusados de corrupção e lavagem de dinheiro.

 

No voto, o relator Og Fernandes afastou as alegações de litispendência e “non bis in idem”. Segundo o ministro, a APn 940 trata de organização criminosa e lavagem de dinheiro em contexto distinto, enquanto o atual inquérito apura crimes específicos de corrupção e lavagem relacionados a fatos delimitados.

 

O relator entendeu haver indícios suficientes para o recebimento parcial da denúncia. Segundo o voto, há elementos que indicam possível comercialização de decisões judiciais e legitimação irregular de extensas áreas de terras no oeste da Bahia, envolvendo magistrados, advogados, empresários e agentes públicos.

 

Og Fernandes afirmou que existem indícios relacionados a contatos telefônicos, movimentações financeiras fracionadas, supostos pagamentos disfarçados de honorários advocatícios e aquisição de bens de luxo. O ministro também considerou haver justa causa para imputações de lavagem de dinheiro, citando fracionamento de depósitos, contratação e quitação de empréstimos bancários e conversão de recursos em bens de luxo como possíveis mecanismos de ocultação de valores.

 

Com isso, o STJ recebeu a denúncia contra Adaílton Maturino dos Santos e Geciane Maturino dos Santos pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; contra Maria do Socorro Barreto Santiago por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e contra Marivalda Almeida Moutinho por corrupção passiva.

 

Por outro lado, a Corte rejeitou a denúncia contra Aristóteles Moreira, Marcio Duarte Miranda e João Antônio Franciosi por ausência de indícios suficientes de autoria ou participação nos crimes de corrupção. Também foram rejeitadas as imputações contra Ediene Santos Lousado, Gabriela Caldas Rosa de Macedo e Maurício Teles Barbosa relacionadas à integração de organização criminosa e embaraço às investigações.

 

O relator ainda determinou o desmembramento da denúncia em relação ao desembargador José Olegário Monção Caldas para tramitação em outro inquérito e declarou extinta a punibilidade de João Carlos Santos Novaes.

 

Por fim, a Corte Especial decidiu prorrogar o afastamento das funções públicas da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e da juíza Marivalda Almeida Moutinho. O entendimento foi acompanhado pelo revisor, ministro Luis Felipe Salomão, e pelos demais integrantes do colegiado.

 

DENÚNCIA DO MPF
O inquérito analisado pelo STJ trata de fatos iniciados em 2015 e relacionados à Ação Penal (APn) 940, atualmente em fase de alegações finais, na qual são investigados crimes de organização criminosa. Segundo o MPF, o grupo atuava na produção de minutas de decisões judiciais, pagamento de propinas, ocultação de valores e embaraço às investigações envolvendo disputas fundiárias na região de Barreiras, no oeste baiano.

 

Durante a sessão realizada na quarta-feira (6), a subprocuradora-geral da República Luíza Cristina Fonseca Frischeisen afirmou que o advogado Adaílton Maturino e a esposa dele, Geciane Maturino, seriam responsáveis por estruturar uma organização criminosa voltada à legitimação da grilagem de terras no cerrado baiano. Conforme a acusação, o grupo utilizava decisões administrativas e judiciais para retirar produtores rurais das áreas ocupadas e consolidar propriedades em nome de terceiros.

 

O MPF apontou que as terras passaram a despertar maior interesse econômico com a expansão agrícola da região, especialmente por causa das plantações de soja. Um dos núcleos da denúncia envolve a validação da Portaria 105/2015, editada por um juiz de Direito de Barreiras, que reconhecia determinada titularidade de terras e permitia o cancelamento de matrículas de imóveis rurais.

 

De acordo com a acusação, o desembargador José Olegário Monção Caldas votou pela manutenção da portaria em recurso administrativo, o que teria possibilitado o cancelamento de registros imobiliários e atingido produtores rurais que ocupavam as áreas. A subprocuradora afirmou que registros telefônicos apontam mais de 100 ligações entre o magistrado e Adaílton Maturino nos dias anteriores à decisão. Também foi mencionada a compra, em dinheiro vivo, de uma caminhonete avaliada em cerca de R$ 140 mil.

 

O MPF também atribuiu participação à então presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago. Segundo a denúncia, ela teria atuado para dar cumprimento célere à decisão administrativa por meio da expedição de ofícios urgentes aos cartórios de registro de imóveis.

 

Ainda conforme a acusação, a intermediação das negociações ocorreria por meio do advogado Marcio Duarte Miranda, genro da magistrada, apontado como responsável por conduzir reuniões para negociar liminares. O Ministério Público também informou que buscas realizadas na residência da desembargadora encontraram minutas de decisões produzidas por advogados ligados ao grupo investigado.

 

Segundo a subprocuradora, vantagens indevidas teriam sido ocultadas por meio da aquisição de joias, obras de arte e um relógio Rolex apreendidos durante a investigação.

 

O MPF afirmou que a estratégia baseada na portaria administrativa foi interrompida após suspensão determinada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A partir disso, segundo a acusação, o grupo passou a atuar em uma ação possessória iniciada na década de 1990.

 

De acordo com a procuradora, o então presidente do TJ-BA, desembargador Gesivaldo Britto, já falecido, designou uma magistrada de sua confiança para atuar na comarca de Formoso do Rio Preto, onde tramitava o processo. Conforme a denúncia, a juíza Marivalda Almeida Moutinho assinou, em 2018, sentença que entregava as terras a Adaílton Maturino e pessoas ligadas ao grupo investigado.

 

O MPF sustentou que uma perícia identificou que o arquivo da sentença apreendido no computador da magistrada teria sido criado pelo advogado Aristóteles Moreira e editado por Antônio Roque, assessor de Gesivaldo Britto. Segundo a subprocuradora, foram encontradas 47 minutas de despachos e sentenças em situação semelhante.

 

Em relação a Gesivaldo Britto, a denúncia sustenta que o desembargador teria recebido vantagens indevidas por meio de um depósito de R$ 800 mil realizado em conta de Mirela Ferreira, cunhada do magistrado, com recursos oriundos de uma empresa apontada como de fachada. Posteriormente, segundo o MPF, ele teria inserido informação falsa em declaração de Imposto de Renda ao afirmar possuir cerca de R$ 787 mil em espécie, em tentativa de justificar a origem dos valores.

 

Como Gesivaldo Britto morreu durante as investigações, o MPF pediu a extinção da punibilidade em relação a ele.

 

A denúncia também envolve o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, acusado de conceder liminar em ação de reintegração de posse ligada ao esquema investigado. Segundo a subprocuradora, a prova da corrupção teria sido confessada pelo próprio magistrado em captação ambiental autorizada judicialmente.

 

O MPF ainda apontou Luiz Carlos São Mateus como operador financeiro do grupo. Conforme a acusação, ele teria utilizado contas de empresas para triangular cerca de R$ 410 mil até beneficiar um trabalhador rural apontado como laranja do magistrado.

 

Além dos supostos crimes relacionados à venda de decisões judiciais, a denúncia também aborda possíveis tentativas de obstrução das investigações. Segundo o MPF, o então secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa, e a chefe de gabinete dele, Gabriela Macedo, teriam promovido a remoção de delegados responsáveis pelas primeiras apurações conduzidas pelo Ministério Público baiano e pela Polícia Civil, mas a denúncia foi rejeitada pelo STJ.

 

A então promotora de Justiça Ediene Lousado também foi mencionada pela acusação. De acordo com o MPF, ela teria vazado informações sigilosas da operação aos investigados e praticado advocacia administrativa em favor de pessoas ligadas ao grupo. O Ministério Público informou que Ediene firmou acordo de não persecução penal homologado pelo STJ e reconheceu dois crimes.

 

Ao final da sustentação oral, o MPF pediu o recebimento da denúncia pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, integração de organização criminosa e embaraço à investigação de organização criminosa contra os investigados listados no processo.

 

O QUE DIZ A DEFESA?
Durante as sustentações orais, as defesas negaram irregularidades. Os advogados de Adaílton Maturino e Geciane Maturino sustentaram que o caso decorre de uma antiga disputa agrária iniciada em ação possessória de 1985 e alegaram ausência de provas de pagamento de vantagens indevidas a magistrados. Também afirmaram que houve repetição de fatos já tratados na APn 940, o que configuraria litispendência e violação ao princípio do “non bis in idem”.

 

Já a defesa da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago alegou que ela foi incluída na denúncia apenas por ter expedido ofícios para comunicar decisão do Conselho da Magistratura do TJ-BA, ato que classificou como dever funcional inerente ao cargo de presidente da Corte. Também sustentou ausência de provas concretas de recebimento de valores ou participação em esquema ilícito.

 

DECISÃO
A Corte Especial do STJ recebeu parcialmente a denúncia do MPF contra magistradas e empresários por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Faroeste, mas rejeitou as acusações contra outros investigados por falta de indícios. O relator, ministro Og Fernandes, afastou alegações de litispendência, determinou o desmembramento da denúncia contra um desembargador e prorrogou o afastamento das rés Maria do Socorro Barreto Santiago e Marivalda Almeida Moutinh

 

  • Recebeu a denúncia contra Adaílton Maturino dos Santos, Geciane Maturino dos Santos (corrupção ativa e lavagem de dinheiro), contra a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago (corrupção passiva e lavagem de dinheiro) e contra a juíza Marivalda Almeida Moutinho (corrupção passiva).

 

  • Rejeitou a denúncia contra Aristóteles Moreira, Marcio Duarte Miranda e João Antônio Franciosi (falta de indícios de corrupção), bem como contra Ediene Santos Lousado, Gabriela Caldas Rosa de Macedo e Maurício Teles Barbosa (integração a organização criminosa e embaraço às investigações).

 

  • Determinou o desmembramento da denúncia em relação ao desembargador José Olegário Monção Caldas.

 

  • Declarou extinta a punibilidade de João Carlos Santos Novaes.

 

  • Prorrogou o afastamento das funções públicas da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e da juíza Marivalda Almeida Moutinho.

 

Idoso de 72 anos foi preso por tráfico de drogas no Mercado Modelo em Salvador
Foto: Divulgação / SSP-BA

Um idoso, de 72 anos, foi preso nesta sexta-feira (8) por envolvimento com o tráfico de drogas no bairro do Comércio, nas imediações do Mercado Modelo, em Salvador. O suspeito, que já possui passagens na polícia, foram apreendidas pedras de crack, porções de maconha e um aparelho celular.

 

 

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o investigado era monitorado há cerca de um mês. As apurações também apontam que o ponto utilizado para a prática criminosa estimulava a ocorrência de furtos, roubos e extorsões na região, principalmente por dependentes químicos.

 

Além da prisão, equipes policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos bairros do Imbuí, Bonfim, Boca do Rio e Jardim Santo Inácio, em Salvador, além de um endereço na Ilha de Itaparica.

 

A operação segue em andamento, com o objetivo de identificar toda a cadeia criminosa e responsabilizar os envolvidos. Nesta ação, foram articuladas equipes da Polícia Civil da Bahia, por meio do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), em atuação integrada com a Polícia Militar. 

 

VÍDEO: Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso, surpreende fãs com 'pocket show' em shopping de Salvador
Foto: Instagram

Quem circulou pelo Salvador Shopping na última quinta-feira (7), foi surpreendido com o show de um dos ícones do rock brasileiro. O cantor Herbert Vianna, líder da banda Os Paralamas do Sucesso, presenteou o público com um "pocket show" em uma loja de instrumentos do shopping.

 

A cena foi registrada por alguns fãs que passavam pelo local sem acreditar na presença do artista. "Isso que é um dia pra ser feliz, seu filho quer comprar um teclado, vai no Shopping e assiste ao vivo Herbert Vianna", escreveu Ned Santos, que foi uma das fãs a compartilhar o registro na web.

 

Além da música, Herbert fez questão de bater um papo com quem estava na loja e posou para fotos. 

 

Apaixonado pela Bahia, o cantor paraibano já chegou a gravar canções com artistas do estado, a exemplo de Thathi, e um dos maiores sucessos da história de Paralamas é uma composição de Carlinhos Brown, a faixa 'Uma Brasileira'.

 

A última passagem dos Paralamas pela capital baiana acontecceu em novembro de 2025, com o show em celebração aos 40 anos do grupo. A apresentação foi realizada na Concha Acústica.