Ucrânia, Rússia e EUA discutem questão territorial em reunião em Abu Dhabi
Ucrânia, Rússia e EUA discutem questão territorial em reunião em Abu Dhabi
Foto: Reprodução / Redes Sociais
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou nesta sexta-feira (23) que discutirá com a Rússia a questão territorial nas conversas mediadas pelos Estados Unidos que ocorrerão em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, entre esta sexta e sábado (24).
"A questão de Donbas é fundamental. Será discutido como os três lados veem isso, em Abu Dhabi, hoje e amanhã", disse Zelenski, citando a porção leste do país, hoje quase completamente ocupada por Vladimir Putin, e voltando a colocar na mesa o assunto que, da perspectiva russa, significa a cessão do território invadido.
Kiev vive hoje, por um lado, sob crescente pressão do governo de Donald Trump para que se chegue a um acordo de paz na guerra com Moscou, que já dura quase quatro anos. O americano chegou a chamar Zelenski de empecilho para as conversas.
Por outro, a Ucrânia atravessa o inverno com blecautes e problemas no fornecimento de aquecimento em grandes partes do país, resultado de ataques russos que têm a infraestrutura como alvo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reforçou a posição de Moscou nas negociações, o que sugere pouca margem de manobra para o governo de Zelenski. "É bem conhecida a posição da Rússia de que a Ucrânia e suas Forças Armadas devem deixar o território do Donbas. Essa é uma condição muito importante", afirmou.
Zelenski e Trump se encontraram nesta quinta-feira e tiveram conversa que o ucraniano classificou como positiva. Os americanos também se reuniram com os russos e discutiram, além da guerra no Leste Europeu, o conselho criado por Trump para reconstrução de Gaza e a Groenlândia, principal motivo das rusgas recentes entre EUA e Europa.
A exigência de Putin de que a Ucrânia entregue os 20% que ainda detém da região oriental de Donetsk, uma das que compõem o Donbas, tem sido um obstáculo fundamental nas negociações —Kiev se recusa a ceder terras que a Rússia não conseguiu capturar.
Parte da negociação envolve um acordo de garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia, que, segundo Zelenski, já estaria pronto e à espera de uma data e local para assinatura, embora os detalhes de como essas garantias funcionariam ainda estejam pouco claros.
Moscou tem rejeitado propostas de estabelecimento de forças europeias em território ucraniano como garantia, o que indica que qualquer garantia do tipo deve passar majoritariamente pelos EUA, que sob Trump têm se aproximado de Putin e pressionado Zelenski ao adotar a retórica do Kremlin para as causas e saídas possíveis para o conflito.
Questionado sobre o uso dos ativos congelados de Moscou para financiar a reconstrução em território ocupado pela Rússia, Zelenski chamou a ideia de reconstruir "as partes deles" com dinheiro russo de absurda.
"Claro que lutaremos [para usar os ativos para a Ucrânia], e é absolutamente justo no que se refere ao uso de todos os ativos congelados [pela Ucrânia]", disse Zelenski. Moscou tem rejeitado essa ideia, que tem resistência mesmo entre aliados europeus de Kiev, que veem o uso desses ativos como um ponto de disputa com a Rússia para o futuro.
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