Negritudes Globo reúne potências negras em roda de conversa e apresenta novidades para edição de 2026
Negritudes Globo reúne potências negras em roda de conversa e apresenta novidades para edição de 2026
Foto: Júlia Estrela/BN Hall
A ancestralidade negra atravessa o tempo como memória viva, vibra nos corpos, nas vozes e nos sons que sobreviveram às tentativas históricas de apagamento. É essa força que segue moldando novas narrativas e abrindo caminhos que nunca deveriam ter sido fechados. Nesta segunda-feira (3), Salvador, cidade mais negra fora do continente africano, foi palco de mais um capítulo dessa construção.
Abrindo a primeira semana de fevereiro, o Teatro Sesi Rio Vermelho recebeu um encontro promovido pelo Negritudes, iniciativa da Globo, para apresentar as novidades do projeto em 2026. Com o pôr do sol como cenário e a história de um povo como fio condutor, o evento marcou o início de uma edição que promete ser ainda mais expansiva do que as anteriores.
O encontro começou com um momento de integração entre os convidados, promovendo trocas e conexões. Em seguida, uma roda de conversa mediada pela jornalista Luana Souza aprofundou temas como ancestralidade, música, legado, inspiração e cultura negra. A mesa reuniu Dan Orrico (O Kanalha), Carlinhos Brown, Larissa Luz e Beto Jamaica.
(Foto: Manuela Meneses/BN Hall)
Antes da conversa, Luana convidou ao palco o projeto de percussão Repiquesia, comandado pelo educador musical Geraldo Marques, mestre da Escola Olodum. Após a apresentação, Geraldo compartilhou sua história e o surgimento do projeto, destacando o papel fundamental das iniciativas sociais na ampliação das perspectivas de futuro para jovens negros e periféricos.
O debate também evidenciou estratégias historicamente adotadas por pessoas negras para se manterem em posições de destaque, mesmo diante de estruturas excludentes.
(Foto: Manuela Meneses/BN Hall)
Em conversa com o BN Hall, Ronald Pessanha, líder do Festival Negritudes, destacou a proposta que orienta a narrativa deste ano: impulsionar histórias negras a partir de quem as vive, reconhecendo os saberes ancestrais.
“Salvador abraçou o Negritudes desde a primeira edição em que a gente veio pra cá, e cada vez mais o público vem junto com o projeto. E o que a gente pensou em fazer no Carnaval? Já que a gente está falando de cultura e está falando de negritudes, a gente precisa estar em Salvador”, afirmou. Pessanha antecipou ainda uma parceria com o Camarote 2222 para selecionar cantores de projetos sociais ou em início de carreira que irão se apresentar no espaço durante o Carnaval. “A gente sabe como é a questão do acesso a esses espaços, como é importante a gente ter essa troca entre os talentos que já têm uma carreira consolidada e quem está começando, porque só assim a gente consegue abrir portas”, enfatizou.
Segundo o idealizador, a ideia para 2026 é ampliar a atuação do Negritudes para além dos festivais, com ações paralelas aos eventos principais ao longo de todo o ano.
Um dos participantes da roda, O Kanalha, falou com a coluna social do Bahia Notícias sobre a importância do encontro em sua trajetória: “Como um jovem, para mim é algo que soma muito na minha vida pessoal e na minha vida artística, então tem uma importância gigantesca na minha vida (...). A gente fica feliz e fica também, às vezes como eu fiquei, um pouco nervoso e ansioso ao mesmo tempo, por saber o tamanho que é [o evento]. E quando bate essa ansiedade é porque tem importância para a gente. Espero nunca perder isso e nunca, jamais, irei normalizar. Me sinto muito feliz (…) quanto mais a gente tiver lugares e voz para poder espalhar a nossa cara preta, a nossa palavra preta, com certeza a nossa Bahia fica feliz e a gente vai tomando posse, de fato, do que é nosso”.
Entre as convidadas estava a atriz Edvana Carvalho, conhecida por trabalhos como “Ó Paí, Ó”, “Renascer” e “Vale Tudo”, além do bordão “É a Bahia!”, que viralizou nas redes e se tornou uma nova gíria regional no estado. Em entrevista, ela destacou a relevância do Negritudes como espaço de integração e projeção artística.
“Toda vez que o Negritudes reúne potências, já é um evento grande em si, porque é um espaço muito importante, seja qual for a época do ano, para a gente discutir presente e futuro, para a gente discutir empreendimentos afro-brasileiros, para a gente discutir novos rumos para a nossa juventude afro, que está aí em todos os bairros, e para os artistas se integrarem com o que está acontecendo na sociedade”, avaliou.
Questionada sobre um conselho para as mulheres negras, Edvana foi afetuosa: “Eu diria que elas nunca desistissem delas, porque a gente é preciosa demais para ficar pensando no que os outros pensam, para se incomodar com os outros. Foque em você, pense em você, estude você, no que você quer fazer, aprenda você e cuide das pessoas que você acha que valem a pena para você. Vamos nos amar entre nós”, indicou.
Entre as muitas personalidades negras que participaram do evento estavam a comunicadora Val Benvindo; o ator, cantor e apresentador Felipe Veloso; a influenciadora Beberes; e o ator Sulivã Bispo.
Para quem vivenciou a experiência de perto, a presença de pessoas negras ocupando espaços estratégicos foi como um gesto político. Ter jornalistas, apresentadores, artistas, produtores e criadores negros no centro da cena ajuda a ampliar os diálogos em busca de um futuro mais justo.
O Festival Negritudes 2026 ainda não teve a data anunciada. Esta será a terceira vez que o projeto desembarcará na capital baiana, em parceria com a Rede Bahia. A iniciativa chegou à cidade em 2024 e, no ano passado, aconteceu na Casa Baluarte, no Santo Antônio Além do Carmo.
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