Aos 477 anos, Salvador celebra seu aniversário neste domingo (29) vendo um de seus endereços mais simbólicos reaparecer com outro ritmo. A Rua Chile, reconhecida como a primeira rua do Brasil, vive uma fase mais movimentada, mais viva e mais próxima tanto de quem visita quanto de quem circula pela cidade no dia a dia.
A mudança é perceptível para quem passa pelo Centro Histórico. O fluxo de pessoas aumentou, especialmente nos finais de semana e durante os eventos, e a rua voltou a entrar no roteiro de turistas que procuram experiências para além dos pontos mais tradicionais. Dados do Observatório do Turismo de Salvador, junto a indicadores como ocupação hoteleira e consumo no entorno, ajudam a explicar esse novo movimento.
Essa transformação também começa a aparecer na avaliação dos visitantes. Em 2025, 43% dos turistas classificaram a experiência no Centro Histórico como “ótima”, um avanço em relação aos 41% registrados em 2022. As avaliações negativas tiveram leve redução, sinalizando uma melhora gradual na percepção do destino.
Mas não é só uma questão de números. Há algo diferente no clima do lugar. Aos poucos, a Rua Chile deixa de ser apenas um caminho entre um ponto e outro e passa a convidar à permanência. Cafés, restaurantes e bares começam a ocupar espaços antes vazios, trazendo mais vida para a região e mudando a relação das pessoas com o espaço.
Esse movimento já se reflete na economia local. Novos negócios ligados à gastronomia, hotelaria e economia criativa começam a surgir, gerando empregos e atraindo investimentos. Imóveis que estavam fechados voltam a ter uso, enquanto a valorização da área avança de forma gradual.
Para o diretor de Qualificação e Promoção do Turismo da Secult, Gegê Magalhães, o momento carrega um significado especial. “A Rua Chile representa esse encontro entre passado e futuro. É um espaço histórico que ganha nova vida e volta a gerar movimento, desenvolvimento e orgulho para os soteropolitanos”, afirmou em conversa com o BN Hall.
Além do crescimento econômico, o que se percebe também é uma retomada da confiança. O Centro Histórico, por muito tempo visto com cautela, volta a despertar interesse e a ser encarado como uma oportunidade.
Integrada aos roteiros turísticos oficiais, a Rua Chile também ganha um novo papel na experiência de quem visita Salvador. A proximidade com o Comércio e a Baía de Todos-os-Santos, somada à presença de museus e espaços históricos, cria um percurso que mistura cultura, lazer e memória em um mesmo passeio.
O perfil do visitante acompanha essa mudança. Cresce o número de turistas interessados em vivências mais autênticas, gente que prefere caminhar sem pressa, observar os detalhes da arquitetura, entrar em galerias, sentar para um café e sentir o ritmo da cidade.
Apesar do momento positivo, ainda há desafios pela frente. Manter os imóveis ocupados, ampliar a segurança, fortalecer a programação cultural e estimular a vida noturna são pontos importantes para consolidar essa nova fase. A integração com outras áreas do Centro Histórico também surge como um passo essencial para ampliar o fluxo e distribuir melhor os visitantes.
Confira lugares e experiências para conhecer na Rua Chile:
Muncab – Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira
Ernesto Bitencourt Galeria
Galeria Galatea
Casa Boqueirão
Praça Castro Alves
Sorveteria Cubana
Elevador Lacerda
Mural de Carybé
Omí Restaurante
Cine Glauber Rocha
Palacete Tira Chapéu

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