Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) prendeu, na manhã desta quinta-feira (21), a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra.
Segundo o g1, também foi cumprido um mandado de prisão contra Marco Herbas Camacho (Marcola), considerado o o chefe da facção, que já está preso, além de parentes dele. Everton de Souza (vulgo Player), indicado como operador financeiro da organização, também foi preso.
Segundo a investigação, o esquema de lavagem envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula da facção criminosa, considerada a maior do país. Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20). Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão na casa dela, em Barueri, e em outros endereços ligados a ela.
Outros alvos da Operação Vérnix incluem o irmão de Marcola, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos dele, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. No total, são seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
LIGAÇÃO COM PCC
Conforme uma reportagem do g1, a ação desta quinta é fruto de uma investigação iniciada em 2019 com a apreensão pela Polícia Penal de bilhetes e manuscritos com dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos policiais sucessivos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada.
O primeiro inquérito teve como foco direto os dois presos que estavam com os manuscritos. O material apreendido permitiu a identificação de referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal.
Entre os trechos analisados, uma citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa, chamou a atenção dos investigadores. Essa referência deu origem ao segundo inquérito policial, que buscou identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora de cargas com o grupo criminoso.
As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida como empresa de fachada usada pelo crime organizado para lavagem de dinheiro. A investigação deu origem à Operação Lado a Lado, que em 2021 revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção.
Nesta operação, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, suspeito indicado como operador central do esquema, trouxe para o MP e para a Polícia Civil ainda mais informações sobre a dinâmica de lavagem de dinheiro por meio da empresa de fachada Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes). No dispositivo foram encontradas imagens dos depósitos que favoreciam contas de Deolane Bezerra Santos e Everton De Souza. Ciro Lemos está foragido, assim como a esposa.
Ao decretar as prisões, a Justiça de São Paulo entendeu que provas do crime e indícios fortes de autoria contra todos os investigados, incluindo movimentações financeiras suspeitas e vínculos diretos com a organização criminosa, e que a prisão era necessária para a garantia da ordem pública porque os investigados continuavam operando esquema criminoso, inclusive de dentro da prisão, representando risco real de destruição de provas e interferência na investigação. (Reportagem atualiza às 07h11)

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