Wesley Safadão não apostou no escuro. Se em 2024 Rey Vaqueiro tinha apenas um show na Bahia durante o período do São João, em 2026 o artista se tornou um dos destaques dos festejos juninos, integrando o ranking de atrações mais contratadas para a festa no estado e sendo um dos artistas com a maior variação percentual em cachê.
Natural de São Paulo, David Linhares Pereira de Sousa, de 26 anos, nome de batismo de Rey, que criou raízes na cultura nordestina, aparece como a 11ª atração mais contratada para o ano de 2026, com 19 shows no estado e um cachê que varia entre R$ 450 mil e R$ 500 mil.
No total, o cantor irá faturar R$ 9.400.000,00 com todas as apresentações. Valor que chega a ser 100 vezes mais do que o "menino de ouro" de Wesley Safadão recebeu pelo seu único show no estado em 2024, na cidade de Serra do Ramalho.
Apaixonado pelo forró desde muito novo, o jovem saiu de São Paulo em 2022 rumo ao Rio Grande do Norte, onde se transformou em Rey Vaqueiro, um dos fenômenos da música feita no Nordeste.
Com referências da nova e da antiga geração, a exemplo de Luiz Gonzaga e, fora do forró, Tim Maia, Rey Vaqueiro já conta com mais de 5 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
De acordo com dados do Ministério Público da Bahia, por meio do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, Rey teve uma variação de 211,1% de 2024 para 2025, saindo de R$ 90 mil para R$ 280 mil. E, em 2026, a variação foi de 76,7%, tendo uma média de contrato de R$ 494.737,00.

A variação do artista é uma das mais altas do ano e já entrou na mira do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão recomendou à Prefeitura de Conceição do Jacuípe a suspensão imediata do contrato firmado com o cantor Rey Vaqueiro para a apresentação no Arraiá Berimbau 2026, pelo show no dia 21 de junho.
Para o MP, o valor, corrigido pela inflação medida pelo IPCA, demonstra uma diferença muito superior em relação ao cachê firmado em outros anos.
COMO FUNCIONA A NOTA TÉCNICA DO MP-BA?
O Ministério Público da Bahia (MP-BA), em parceria com o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), produziu um material com diretrizes para a contratação de artistas durante os festejos juninos de 2026.
De acordo com o MP, o documento é orientativo, ou seja, é para sugerir que o Município utilize os critérios como referência para as contratações deste ano, como uma forma de evitar o crescimento expressivo das despesas de um ano para o outro sem justificativa técnica ou financeira.
O órgão reforça que a Nota Técnica não tem o propósito de impedir a realização dos festejos juninos, mas sim reduzir riscos institucionais, evitar sobrepreços e reforçar o cumprimento da Lei de Licitações, da Constituição Federal e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A orientação é para que os municípios utilizem como parâmetro os valores pagos aos artistas no São João de 2025 no mesmo estado. Caso não haja registros para serem utilizados como referência, a recomendação é ampliar a pesquisa para os últimos 12 meses.
Caso o artista tenha ficado famoso apenas em 2026, o P-BA justifica, em sua cartilha, que é possível explicar o valor maior com documentos que comprovem a mudança de mercado.
POLÊMICA COM FLÁVIO JOSÉ
O cantor Flávio José surpreendeu o público ao anunciar o cancelamento de apresentações na Bahia durante o São João. A decisão do veterano teve como motivação a redução do valor do contrato para os festejos em 2026.
De acordo com o veterano, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) teria sugerido a redução do cachê, que em 2026 aumentou R$ 100 mil, saindo de R$ 250 mil para R$ 350 mil.
"Este ano a Bahia ficará sem minha presença. Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia de que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas, que nada têm a ver com forró, ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo, não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda a minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve."

De acordo com o levantamento feito pelo Bahia Notícias, artistas de outros gêneros que não o forró, estilo que deveria predominar na festa junina, irão faturar mais do que atrações do forró. A dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano, por exemplo, irá faturar um total de R$ 2.715.000,00 por três shows no estado.
O cachê de R$ 905 mil por show chega a ser cerca de 3 vezes maior do que o cobrado por Flávio José por show, R$ 350 mil.
Em resposta enviada ao Bahia Notícias, a assessoria do MP-BA afirmou que, "nas últimas quatro edições dos festejos juninos na Bahia, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil".
Por isso, o órgão informou ter encaminhado recomendações aos municípios para que adequem as contratações de atrações artísticas aos parâmetros estabelecidos pela instituição e pelos Tribunais de Contas, os quais são atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O MP-BA também destacou que seus critérios consideram a notoriedade e a projeção dos artistas, reconhecendo que atrações de maior relevância no mercado podem justificar valores contratuais superiores aos parâmetros médios, desde que haja fundamentação técnica para os valores contratados.

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